segunda-feira, 8 de agosto de 2011

MALANJINO É GENTE E NÃO GENTIO


É tão lindo andar por uma estrada que por si mesmo nos informa onde estamos,, quantos quilômetros já percorremos e quantos faltam. Ou que nos avisa da aproximação as pontes, as curvas, as travessias de pessoas, gado, etc.
Na terra dos outros que devem nos servir de modelo, alguns não dão as distancias entre um ponto e outro, mas o tempo que levamos a percorrer. Estas estradas estão tão bem estruturadas e mantidas funcionais que a velocidade é quase constante. Mais minuto, menos minuto o tempo que levamos muda pouco.
Recentemente fui a Malanje e vi sinais a pontualizar o nome da localidade, a distancia para a próxima e bastantes sinais de transito. É digno de louvor o trabalho. Agora o que não deveríamos admitir e punir severamente é o estrago inoportuno e gratuito protagonizado por alguns.
Disseram-me que é pratica na zona por essa altura do ano botarem fogo a vegetação para diminui-la e por via disso caçar mbuijis, ratos e toda a outra sorte de animais abundantes na flora. O que estes compatriotas não sabem e deveriam ser forçados a saber é com com as queimadas acabam por danificar as placas de sinalização, diminuir a visibilidade, lançar dióxido de carbono na atmosfera e toda sorte de males que ao fim de tudo são os males que nos afligem.
Por favor malangino é gente e não gentio. Parém.

domingo, 7 de agosto de 2011

A NOSSA DITA AUTO-ESTRADA


Experimentei recentemente fazer uma reportagem sobre a nossa dita “AUTO-ESTRADA”. No terreno, prestei atenção em menos de 10 segundos passaram por mim nada mais e nada menos que 10 veículos e facilmente se podia concluíram que estávamos efectivamente em uma estrada de trafego veloz.
Na procura de compreender o que era isso aí de “AUTO-ESTRADA”, fui obrigado a buscar por definições. Dentre as varias encontrei esta que diz que AUTO-ESTRADA é uma via publica destinada a transito rápido de tráfego motorizado com os acessos condicionados, sem cruzamentos de nível e com as faixas de rodagem separadas entre si; dotada de pelo menos duas vias em cada sentido, separadas por elementos físicos. Não possui cruzamentos - e sim rampas de acesso - e serve primariamente, para atender ao tráfego entre áreas urbanas ou dentro de grandes cidades.
Na minha pesquisa acabei por ser advertido para não confundir auto-estradas com vias expressas, ou vias rápidas nem com sistemas rodoviários nacionais.
Conceitos à parte a nossa é AUTO-ESTRADA, VIA RAPIDA ou VIA EXPRESSA, começou a ser erguida em fevereiro de 2006 e hoje liga Benfica-Viana-Cacuaco e é a primeira de Angola, com mais de 50 quilômetros de percurso.
Ela é composta de duas faixas de rodagem em cada sentido e um separador central de 20 metros. Previa-se que se podiam acrescentar mais uma faixa para cada sentido. Consta dos detalhes técnicos do projecto a construção de 30 valas de drenagens, bem como, oito vias de retorno para a ligação a algumas localidades ao longo da mesma. Ela facilita a ligação entre outros projectos como o Camama, novo Centro Universitário, nova centralidade do Kilamba Kiaxi, Zango, dentro outros pontos de Luanda assim como com o novo aeroporto projectado para a região de Calumbo e um melhor acesso do Porto de Luanda para o Porto Seco de Viana. Tem também como objectivo facilitar as deslocações entre Luanda e as províncias de Angola, com realce para Bengo, Uíge, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Benguela, Huíla, Huambo e Bié.
Na verdade a infra-estruturais rodoviárias é um grande investimento do governo de Angola.
O paradoxo, é que normalmente, as auto-estradas possuem portagem, sendo concessionadas a uma empresa que as explora comercialmente. Com o lucro ou rentabilização da infra-estrutura se pode adquirir fundos para a sua manutenção e conservação.
Ao que se sabe, a nossa auto-estrada ainda não tem uma entidade para administrá-la nem se denota meios e dispositivos que indiciam que no futuro a sua utilização será rentabilizada. Em conseqüência já é grande o grau de destruição. Podemos observar in loco este cenário.
A foto junta a essa matéria diz tudo.
Muitas infra-estruturas similares existentes no mundo a sua preservação é monitorada por dispositivos preventivos, quer sejam patrulhas da policia quer visionamento com recurso a câmaras. Com esses mecanismos era possível detectar qualquer autor de um dano voluntario ou involuntário ao longo de toda a sua estrutura bem como providenciar socorro imediato em caso de sinistro. O controlo nos acessos, para pagamento de portagens e a persuasiva mensagem de que a estrada esta vigiada é um mecanismo sofisticado capaz de induzir os utentes a ser mais prudentes.
O sentimento de “estado providencia” que se instalou na cultura e mente de muitos angolanos deve ser veementemente combatido. Muitos utilizadores ainda consideram que a responsabilidade pela preservação é do governo.
.
O projecto prevê a implantação de passagens de níveis para peões, entretanto, em toda a sua extensão ainda não existe nenhuma destas passagens.
Mais um paradoxo é que ter zonas sinalizadas como sendo “passagens para peões” ao largo da plataforma. Em teoria o peão que atravessa “nessas zonas sinalizadas” a seguir esbarra com o separador central que não prevê em toda a sua extensão um único ponto de travessia. A travessia é feita a correr tal é a velocidade dos veículos.
Neste tipo de estrada o transito é feito de maneira rápida. Na pior das hipóteses os veículos circulam a 80 km/H. Em teoria veículos que não alcança essa desempenho não deveriam se fazer a ela. Entretanto na nossa realidade é o contrario. Motorizadas, tratores e até bicicleta rolam a vontade provocando constrangimentos vários aos restantes utentes.
Ordem precisa-se, porque senão é mais um foco de tensão que acaba de ser construído.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

EXECUTIVO ANUNCIA: DIALOGO ENTRE GOVERNADOS E GOVERNANTES A CAMINHO



Assiste de maneira integral a conferencia de imprensa de balanço de mais um trimestre feito pela o Ministro de estado e chefe da casa civil Carlos Feijó. Esta maneira de informar-nos, nós os governandos foi inaugurado no inicio do presente governo e parece que vai fazer "tradiçâo".
Da conferencia, transmitida em directo pela TPA, ouvi no final o ministro de estado e chefe da casa civil acrescer as suas declarações uma adenda para dizer que os diferentes departamentos governamentais vâo prestar doravante informaçoes sobre como e a quantas andam as esferas sob sua tutela. Segundo Carlos Feijó, vai ser inaugurada uma "nova era entre governados e governantes", a era do diálogo.
Muito modestamente, posso dizer que o programa 100 DUVIDAS da radio Ecclesia, emissora catolica de Angola, tem na sua bandeira este proposito: promover um dialogo pernamente entre governados e governante, num processo onde a informação tenha dois sentidos reciprocos.
Por essa via é possivel promover a cultura de prestaçâo de contas, a cultura de respeito a liberdade dos outros, a cultura de cada um e todos em conjunta brigarem pelos seus direitos para que no final todas as partes se sintam satisfeitas e todos não faltem aos seus deveres.
Sendo assim, estou a adivinhar um nova era em que prestar informação passa a ser um dever, uma obrigaçâo e não uma vaidade sujeita ao criterio dos governantes e onde o cidadão não é apenas um homem "pedinte" que espera de mão estendida a que os seus problemas e necessidades sejam satisfeitas pelo governante, mas antes um protagonista, um ser activo. Por outras palavras, estamos em era de cobranças mútuas.
Se a moda pegar, e espero por este momento, teremos obrigatoriamente que dar os parabens a uma equipa e uma radio neste país. Trata-se da Radio Ecclesia e do seu programa 100 DUVIDAS, porque em uma oportuna antecipação foram os primeiros a falar de DIALOGO ENTRE GOVERNADOS E GOVERNANTES.
Mera concidencia ou não, parece que temos novos vocabulos no diccionario do Executivo e ainda bem.
Esta é uma vitoria da democracia, um alivio para os jornalistas e um trofeu para o 100 DUVIDAS.
Bem haja.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A KALANDULA VOLTO PARA VER AS QUEDAS E O "GRAPE"


Estive mais uma vez nas terras da palanca negra e fiel à regra: NÃO SE VAI A ROMA SEM VISITAR O VATICANO, que os devotos à Malange retomaram para transfigurar (no bom sentido) para: NÃO SE VAI A MALANGE SEM VISITAR AS QUEDAS DE KALANDULA, lá fui ver mais uma vez as famosas quedas.
Todas as vezes que observo este espetáculo da natureza me pergunta quem é o autor desta majestosa obra. Nesta visita um colega de viagem respondeu-me: DEUS. Sim só podia ser Deus. Não me canso de olhar, ver com olhos de ver e contemplar. Gostaria de um dia encontrar alguém que não reconheça beleza as quedas de Kalandula no rio Lucala.
A grata surpresa foi conhecer o aldeamento turístico GRAPE. Vos confesso que combinar visita às quedas de Kalandula com uma hospedagem neste aldeamento vale a pena. Eu experimentei e simplesmente fiquei maravilhado.
Os meus parabéns a prima Graça e o seu esposão Fidelíssimo. Queridos o sitio já esta “bem cuioso” e, portanto digno de estar ao dispor de muitos viajados dessa nossa linda Angola. Eu prometo que em breve venho com a minha turma e ficamos no aldeamento.
Parabéns e força casal.












5r



5r

sexta-feira, 22 de julho de 2011

PUMANGOL NÃO ENCHE BIDONS


A mais recente gasolineira do nosso mercado, a Pumangol não abastece bidons. Há uma na zona do Luanda Sul que abre excepção mais o povo forma bicha ou tem de desmontar os depositos dos geradores e traze-los.
Pessoalmente estou desapontado com a bomba da entrada da nova centralidade do Kilamba Kiaxi que não enche os bidons, mas com uma gasosa ao funcionario pode abrir uma excepção. Paradoxalmente os se pode encher um bambor de 200 litros.
Pessoalmente, ja me sugire a original ideia de comprar um tambor ou algo similar para por via disso conseguir comprar o gasoleo que tanto preciso para alimentar o meu pequeno gerador electrico ja que a EDEL é o que é.
recentemente ia eu a caminho de Cacuaco pela via rapida que afinal não Auto-EstradaE constatei que tinha pouco combustivel e então entrei na bomba da Pumangol. Para me espanto lá estava uma carrinha cujos bidons estavam a ser abastecidos pelo funcionario. Perguntou ao colega daquele que me atendia: voces enchem bidons? e ele respondeu: so com o pagamento de uma caução.
Então a minha sugestão é que a Pumangol esclareça qual é o valor da caução.

AGORA TODOS EMBARGAM?

Sinceramente fiquei contrariado com o que vi. Depois de ter visto a reserva a ser declarada de lés a lés senti-me tocado a referir isso no meu blogue. Tudo pelo facto de que a reserva chegou mais tarde depois dos "casebres" já estarem erguidos.
Isso para chamar a atenção no facto de que estamos sempre em permanente briga entre autoridades e povo no que toca a organização territorial da cidade de Luanda. Quase sempre os bairros surgem do nada e quando chega o momento do estado precisar dos terrenos é que o verniz estala.
Será que um dia alguém vai ousar demolir estes musseques que proliferam por toda Luanda.
A novidade agora é que alguém ousou embargar "a obra" de DECLARAÇÃO DAS RESERVAS FUNDIARIAS. Por outras palavras, alguém embargou a colocação das placas.
É uma indisciplina?
Uma manifestação de frustração?
É uma afronta ao poder instituido?
enfim, simplesmente fiquei pasmado com tamanha ousadia.

terça-feira, 21 de junho de 2011

NÃO SE ASSUSTEM SE VIRDES CAMÕES A VOSSA FRENTE

Tenho a felicidade de nos ultimos 8 anos mais ou menos estar a trabalhar em postos que me obrigam a viajar pelo País. Ontem foi com a IRIN Nações Unidas e hoje com a BBC WST Angola. Ambos projectos, o que de mais excitante trouxeram para a minha vida em particular é o gozo de correr por essa Angola de lés a lés. Contas feitas acabei por concluir que para conhecer toda Angola (em termos de provincias) ne restam apenas 3, Namibe, Lunda Norte e Lunda Sul. Namibe já lá estive, no passado colonial quando meu pai acusado de terrorista esteve a cumprir exilio primeiro em S.Nicolau e depois na Baía dos Tigres de onde regressamos apenas em vespera do 25 de abril de 1974. Porém, não considero conhecer essa provincia porque na verdade esta etapa da minha vida não consta dos registos de que me lembre no presente. Portanto lá irei um dia para completar o ciclo se Deus quiser.
Entretanto, nestas andanças por Angola, as vezes constacto coisas que me deixam boquiaberto. Como se costuma dizer "mais vale uma imagem do que mil palavras"convido-vos a ler o que conseguirem captar desta fotografia tomada em plena cidade do Luena Moxico e assim compreenderão o porque do titulo deste rabisco.
É que se a alma do homem anda por aí, um dia zanga-se e virá cobrar mais respeito pela sua língua...

sábado, 18 de junho de 2011

CUMPRA-SE, E PONTO FINAL

Nos ultimos dias quem viaja pela via expressa ja terá notado estes placards e lido os seus conteudos. A mensagem é clara e concisa e não deixa duvidas.
Todavia, o que me deixa perplexo é o facto de em toda a extensão, em ambos os lados da via expressa já estarem implantadas infra-estruturas diversas, algumas com anos de idade. No perimetro temos musseques, escolas, empresas privadas, restaurantes, etc. e nessas infra-estruturas temos infelizlmente centenas senão milhares de cidadãos e maior parte deles nacionais.
estou a presumir que a bronca se vai instalar novamente, porque a ocupação esta feita e a declaração da zona fundiária peca por tardar. Não será que os ocupantes depois vão alegar direito adiquirido. Enfim, ainda me pergunto se nós os cidadãos é que somos anarquistas ou a autoridade chega sempre tarde.
Me lembro da recorrente cena dos filmes em que se desenrola a luta entre os bandidos e o artista, o ultimo sofre e derrota o inimigo e  depois a policia chega sempre no final.
Angola a Subir DESCENDO...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

CAMARADAS, ATÉ QUANDO O REGRESSO DO TURISMO EM FORÇA?

A sensação de estar tão perto de um animal selvagem, feroz e pouco habituado "as boas maneiras humanas" é simplesmente indiscritivel. Aqui estou a alguns escassos metros de um rinoceronte africano adulto e com ajuda da prestimosa Liliana pude posar e deixar registado este momento.
Entretanto, esse prazer teve dois custos significativos: teve de ser satisfeito na longiqua cidade de Nairobi-Kenia em troca de preciosos 20 dolares americanos.
Os Kenianos tem neste negocio do turismo uma grande fonte de receita. Lá, ouvi dizer, os animais serlavagens são um tesouro. Todos os condutores são ensinados a fazer "tripas o coração" quando um inevitavel e inusitado encontro acontece com um animal seja ele qual for de que tamanho for. Portanto não atropelam os animais ao contrario do que é pratica cá entre nós.
No ultimo fim de semana cruzei-me com um amigo na estrada Zenza-Ndalatando e garbosamente exibia o seu trofeu: CARAMBAS ACABEI ATROPELANDO UM POLITICO (macaco). NÃO QUERES VOLTAR A NDALATANDO PARA SABOREARMOS UMA CARNE GOSTOSA BANHADA DE BOM VINHO?
enfim lembrei-me de Nairobi. Em Naoribi, eu e os colegas de comitiva fizemos silencio, oferecemos comida e esperamos longos minutos para termos o prazer de caminhar bem ao lado de um macaco o nosso mais proximo parente no mundo animal.
Por cá o meu kamba exibia o macaco e já lhe tinha trocado o nome chamando-o jocosamente por politico. O que não consegui saber é se foi por desprezo ao animal falecido ou ironicamente chamava os nossos politicos pelo nome do animal.
Portanto não sei se os MACACOS  é que são politicos ou os nossos politicos é que são M... 

PARA QUE NÃO RESTEM DUVIDAS, "100 DUVIDAS" CONTINUA NA RADIO ECCLESIA

Quando a cerca de 3 anos atrás o respeitável Professional Robert powell, na altura nas vestes de director da BBC WST em Angola me propôs a escrevermos uma proposta De projecto de um programa de radio que tivesse como foco a interacção entre GOVERNANTES e GOVERNADOS por ser esse tipo de dialogo pouco promovido na nossa media, confesso que não acreditei na realização do sonho.
Todavia, quando se está ao pé de pessoas persistentes até os piores dos receios são afastados. Portanto afastados os meus, colocamos mãos a obra e passamos longas horas e dias de troca de informação que culminou com a elaboração da proposta que a posterior para nossa satisfação veio a ser financiada pela União Européia e o projecto tornado realidade.
Não foi fácil. Foi preciso desbravar muita terra, mas ao fim de tudo o resultado e animador, reconfortante e promissor. Ao fim do tempo de vida do projecto o programa tornou-se uma marca na programação da Radio Ecclesia e na hora de encerrá-lo, audiência e produtores são unanimes: FECHAR O 100 DUVIDAS, NUNCA...
Portanto, o 100 DUVIDAS vai continuar ali nos 97.5 para "presentear o bom ouvido", estimular o dialogo e promover a cultura dos governantes responderem as solicitações dos governados e por essa via estarmos a materializar o principio do DIREITO A INFORMAÇÃO devido a todo o cidadão angolano.
VIVA A DEMOCRACIA

PARQUE DE ESTACIONAMENTO DA FEIRA NGOMA, DUROU POUCO


Foi apenas uma passagem efemera a grata inciativa de abrir o espaço da ex-feira Ngoma para estacionamento ainda que provisorio. No passado dia 4 de abril era alegria mas hoje voltamos ao mesmo sofrimento de sempre na zona dos combatentes. Estacionar é o problema que estamos com ele.

Se estacionar é o problema, outro problema é saber de quem é a  a ex-feira Ngoma e o que será feito do espaço. Neste momento preferiram os que assim decidiram fechar e de tempo em tempo deixar passar pelo portão os que tem necessidades de defecar. Todos os dias do ponto alto do meu escritorio vejo esta triste cena repetir-se.
Enfim...coisas da nossa terra.  

segunda-feira, 4 de abril de 2011

SERÁ DESTA QUE A EX-FEIRA MGOMA TERÁ UMA UTILIZAÇÃO?



Tive a grata surpresa de ver hoje (4 de abril, dia da paz) carros estacionados no interior da ex-feira Mgoma. Ainda não sei se terá sido uma decisão para a sua utilização até que outro destino lhe seja dado ou se apenas foi como se diz PARA INGÊS VER.

Seja o que for, foi uma agradável surpresa para mim e muitos outros que trabalham no perimetro dos Combatentes e arredores onde o nosso maior problema chama-se ESTACIONAR. Para muitos como eu a solução tem sido pagar os seguranças que abundam no perimetro em serviço nas casas comerciais, residencias e outros edificios ou então entregar a responsabilidade pela guarda do carro a um míudo lavador de carro nem que seja para limpar o pó, afinal lavar tambem chama outra maka com os fiscais. Nos ultimos meses o recinto tem estado votado ao abandono. Para quem assistiu a velocidade com que se demoliu as barracas e constatar que anos depois, o recinto, tirando as chapas azuis para a vedação, nada mais recebeu é sem duvidas uma desilusão.

Ora, pode ser que não esteja destinado para um parque de estacionamento (seria bom se assim fosse) mas não está certo que o deixem às moscas. A avenida dos Combatentes, se a memoria não me atraiçoe, é uma das mais largas da cidade de Luanda, porém, é sofrivel trafegar nela tal é o estreitamento que as vezes alcança com filas de veiculos parados dos dois lados e de maneira desordenada.

É comum ver e ouvir gente aflita com a mão na buzina sem parar porque "fecharam-lhe" o carro por um outro cidadão que aflito e sem solução espectou o seu na primeira folga que encontrou. As passadeiras para piões estão sempre bloqueadas por veiculos estacionados, enfim um autentico pandemónio.

Perante tal, ninguem nessa terra tem visão suficiente para perceber que estacionamento é uma premente necessidade e um tesouro por explorar capaz de vir a gerar para os cofres de estado receitas financeiras significativas?
Portanto fazer da ex-feira Mgoma um estacionamento não seria de todo uma má ideia.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O BOM E O PÉSSIMO DE 2010

Reza a tradição que hoje, 6 de janeiro, termina quadra comemorativa do natal e ano novo.
Dois mil e onze. Ainda ontem começávamos dois mil e dez, traçávamos planos e eis que em um ápice o ano se foi e aqui a começar um novo. O momento é de balanço, analise e planos. Por essas alturas frustrações, missões por realizar, êxitos, resultados, enfim, são as palavras que ecoam e ressoam na mente dos cidadãos.
Nos meus círculos alguém me pediu para apontar o positivo e o negativo do ano. Ora, para mim o positivo foi ter reparado que durante a quadra festiva as nossas queridas mulheres não andaram de botija de gás à cabeça a procura desse indispensável combustível nas nossas cozinhas e que nós os utentes de veículos não formamos as quilométricas filas nas bombas de combustível a procura de abastecer as viaturas, os bidons e os depósitos de geradores para garantir a festa.
Perante tal em meu entender algo mudou bastante. Ou quem distribuiu o combustível “caprichou” bastante para que alcançasse esse desiderato ou os postos de revenda começaram a corresponder a procura. Não sabendo ao certo o que se terá passado deixo o meu positivo para a Sonangol.
Virando a outra face da moeda o negativo do ano foi sem duvidas o descaramento e pouca vergonha do porta-voz da EDEL que para se rir do nosso sofrimento ousou dizer que estava tudo pronto para garantir uma quadra festiva a todos os luandinos e que estavam criadas equipas para assegurar o serviço.
Sinceramente, ou anda gente a fazer de propagandista no oficio de porta-voz (uma função nobre e cujos fundamentos estudam-se na escola na esfera das ciências da comunicação) ou o tipo julgou-nos todos “tapados”. Estimada EDEL pela próxima mandem o vosso porta-voz dizer o seguinte: ESTIMADOS CONSUMIDORES DE ELECTRICIDADE, VAMOS FAZER TODOS OS POSSIVEIS PARA QUE NÃO FALTE LUZ A NINGUEM, MAS SE NOS PERDOEM PORQUE NÃO TEMOS CAPACIDADE E MEIOS. Assim, e em obediência aos mandamentos da lei de Deus teríamos perdoado o facto de em vésperas de a consoada ter faltado luz em muitos sítios da periferia e em vésperas do ano novo idem. Para que não restem dúvidas eu filmei o momento de entrada no ano novo no bairro Calemba II e tenho um lindo vídeo do apagão para vos oferecer.
Parabéns e aprendam a mentir melhor em 2011.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

ECCLESIA, PARABENS RADIO AMIGA



Formador Robert Powell da BBC WST explica a jornalistas da Ecclesia tecnicas de pesquisa na intenet no curso de jornalismo investigativo na sala da CEAST


Neste dia em que a Radio Ecclesia completa mais um ano de vida, enquanto ouvinte e membro de uma organização que se constituiu parceiro (importante) da estação não podia deixar a efeméride passar em branco.
Para alguns membros da Radio Ecclesia, eu apenas sou mais um dos que entram e saem do interior das suas instalações. Todavia, dentro de mim e por inerência de funções me transformei em um ouvinte atento e avisado não fosse a minha responsabilidade no seio da organização para a qual trabalho, a BBC WST Angola.
Na missão de perceber e documentar-me sobre o dia a dia da Radio Ecclesia, sou forçado (no bom sentido) a ouvir, analisar, criticar, elogiar e encorajar o trabalho da estação. Um dia destes na longa história da rádio se vão acrescentar mais umas linhas ou parágrafos em como nós também emprestamos algum do nosso saber e do nosso esforço a essa casa.
Neste dia, sem desprezo  por todo o trabalho, permitam-me que o diga, a reportagem do jornalista Mayama Salazar em um passado recente e a do José de Belém por altura da primeira visita de campo do novo governador de Luanda mereceram constar de um arquivo selectivo de sons que colecciono para fins acadêmicos. Importa dizer que trabalho em formação, treinamento e aconselhamento nesta relação Radio Ecclesia/BBC WST Angola.
A primeira, porque fomos nós (a BBC WST) a tomar a iniciativa de mostrar aos jornalistas da casa que jornalismo investigativo é uma necessidade imperiosa para o contexto actual do país.  Estamos a precisar dar um passo em frente para podermos, tal como o conceito estabelece, ‘descobrir informação que não é fácil de obter através de fontes habituais de informação de primeira linha. Parabéns Mayama. Auguramos que com o seu exemplo possamos conhecer outras verdades que sentimos sede de saber e conhecer a bem da nossa Angola.
A segunda porque José de Belém mostra “com olhos de ver” a primeira grande visita de campo do governador de Luanda em uma matéria alegre, onde o ouvinte é “pegado” pela mão e conduzido a ver a verdade atraves da radio. O politico alvo, para o caso o novo governador de Luanda, ganha porque é mostrado como um homem que quer dialogar com os seus governados, pois esteve em algum monento em cavaqueira alegre e construtiva com o povo. Dizia uma mestre minha (Ana da Silva) que quando bem combinado texto, entrevista, ambiente e efeito sonoro os ouvintes podem ver atraves dos ouvidos. Camarada foi um dia grande para si e para nós que no nosso contributo nos batemos para ter esse tipo de reportagem na emissão da Radio Ecclesia.
Estamos juntos e como diz o meu chefe: FORÇAAAA!
Bem haja companheiros.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

INSTANTANEOS DO DIA DA DIPANDA "REGISTOS DAS MINHAS COMEMORAÇÕES"

Matar saudades é mesmo matar e enterrar. Foi o que me levou ao estadio dos Dinizes que também já foi da Revolução quando ouvi dizer que estava em Ndalatando o 1º de Agosto e que tinha trumuno marcado com uma equipa local.
Fui para me recordar dos velhos tempos dos Diabos Negros, Dinámos, Surucucú, Mintec, Eka, Kuanza Textil e tantos outros "lendários "clubes das lides futebolisticas de Ndalatando. Para minha agradável surpresa o estadio dos Dinizes já tem relva e para mais ainda, relva natural e bem tratada. Me deu vontade de gritar: JA TEMOS PAPA, ou melhor já temos relva.
Angola a subiiiiiiiirrrrrr...

INSTANTANEOS DO DIA DA DIPANDA "REGISTOS DAS MINHAS COMEMORAÇÕES"


GRANDE DIA DA DIPANDA
Autocarro arde todinho na vila de Catete no dia da independencia

Lá diz e bem o ditado: OS BONS FILHOS VOLTAM SEMPRE A CASA. Hoje vesti-me de preto e vermelho, saquei do meu boné e me fiz à estrada. Foi a maneira singela que encontrei para comemorar pomposamente os 35 anos da nossa dipanda. Regressei a Ndalatando para ver amigos e familia mas tambem matar saudades. Todavia à saída de Luanda minha objectiva flagrou aquilo que deve ter sido um triste dia da independencia para um certo cidadão ou cidadãos que perderam nada mais nada menos que um autocarro.
Se calhar era o seu ganha pão. Ou talves não. Pode ser que era apenas um emprego ou ainda era o negocio para sustentar familia. Não pude apurar um unico elemento. Fiz a viagem e comigo mesmo me perguntava como foi possivel um veiculo arder todinho em uma estrada nacional a boca de Luanda sem que os bombeiros pudessem fazer algo. Alias, fizeram. O que fizeram foi ter chegado e apagado as chamas de um esquelecto daquilo que um dia foi um autocarro. Só estavamos apenas a algumas dezenas da capital de Angola enquanto no estadio 11 de Novembro soavam as salvas de canhões em honra aos 35 anos da dipanda.
Angola a subir...


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

UM OLHAR A CULTURA HUNGU

ADAGIOS, PARABOLAS E SETENÇAS HUNGU
Para lá nas terras a norte do Kuanza Norte habita um povo. Um povo e uma cultura por descobrir. Os maleficios dos horrores que martirizaram a querida Angola os hostilizou mas não o acabou. Sobreviveu e vive vivo seguindo em frente sempre audacioso e próspero. Para lá nas terras a norte do Kuanza Norte habitam os Mahungu dos quais eu sou parte, orgulhosamente apenas uma parte que se junta e se deve juntar aos outros para mostrar ao Kuanza Norte, a Angola e ao mundo a riqueza do seu saber.
Aqui uma pequena amostra de ricos e suculentos ADAGIOS E PARABOLAS que gostaria de recolher e reunir em livro para deixar para a posteridade. Recolhi e traduzi apenas estes, mas estou a espera de seu contributo para continuar a enriquecer esta lista que espero em breve tenha as dezenas e porque não as centenas..
Lanço o desafio.
Vamos a isso?
1.      PODEMOS DORMIR NA AGUA, O FRIO NÃO MATA
2.      O FILHO DE CARANGUEJO QUANDO VAI A UM RAPIDO DE AGUA É PORQUE JÁ CONFIA NOS SEUS TENTACULOS
3.      NÃO SE PROCURA RESOLVER UM CONFLITO COM PORCO BUSCANDO CONSELHOS AO JAVALI
4.      TIREMOS O ATRAVESSADO, PARA ABRIR CAMINHO AO PONTIAGUDO
5.      REMOVA O CADAVER DO RATO DA ARMADILHA PARA QUE SE DISPERSEM AS FORMIGAS
6.      NO BURACO DE UMA SANZALA GERALMENTE CAEM APENAS OS VISITANTES
7.      UM MENOR EDUCADO É CORRIGIDO COM SIMPLES OLHAR
8.      QUANDO A MÃO DEMORA MUITO NO INTERIOR DE UMA PANELA COM CARNE GERALMENTE NELA APENAS EXISTEM OSSOS
9.      SER MAIS VELHO NÃO É SINONIMO DE INTELIGENCIA
10.  TUDO VISTO PELO CÃO APENAS FICA COM ELE NO SEU CORAÇÃO
11. QUEM ASSA UM RATO DE CASA É UMA  MANIFESTA INTENCÃO DE O COMER
12. ATRAIDA PELA LUZ, A BORBOLETA SE ENTREGA AO LUME POR SI MESMO
13. ESTAR MAIS OU MENOS BEM É SINONIMO DE ESTAR DOENTE
14. QUEM SE INCLINA INDECENTEMENTE NÃO TEM CULPA, A CULPA É DE QUEM BUSCA VER A NUDEZ DO INCLINADO
15. ...

 
QUALIDADE DO SOM NA RADIO:
a voz e o registo magnetico

  As qualidades da voz e do som no geral, particularmente dos registos magneticos cuja essência é dar informação as audiências, são sem duvidas um dos maiores ingredientes que produzem a mistica de uma emissão de rádio porquanto o trunfo da rádio como produto é antes de tudo o som que ela transmite. Portanto este som não deve ser apenas um “som”. Variadíssimas vezes pessoas desavisadas, sempre que admiram um locutor de radio, referem “gosto muito da sua voz” ou ainda sempre que querem conhecer um apresentador de radio fazem-no trazidos pela energia que a sua voz transmite.
Pessoalmente nas minhas andanças pela rádio, nas emissoras provinciais do K.Norte e K.Sul, sempre que um ouvinte admirador tivesse o ensejo de me conhecer manifestou estupefacção pela desproporcional imagem que acabava de constatar e simpaticamente me dizia “pensava que fosses um homem mais alto, gordo, cheio e grande”. Nessas andanças guardo as recordações de uma jovem que me telefonava sempre ao fim do programa RADIO JUVENTUDE para bater um papo comigo. A sua maior vontade era que nos conhecessemos um dia. No dia que nos vimos disparou: sempre pensei que fosses alto!
Portanto a radio “esconde”  por detrás do seu som um personagem encoberto por uma grande curtina que separa o fazedor de radio do ouvinte apesar da proximidade e da intimidade que os une no binómio emissor-receptor. Como refere  um autor “a Rádio é uma arte para ouvir, mas ouvir, neste caso, não é apenas um dos cinco sentidos do organismo humano.”(MINKOV; 1982:11), portanto trata-se de uma relação em que a presença do corpo não entra, em que todo o trabalho é feito pela voz e pelos outros sons que transmitimos abrindo espaço, imaginação e consequentemente ao sonho e especulação interior. Conhecemos casos de actores que o seu talento se refugia por detras da sua voz. O Loiro do programa da Ana Maria Braga da TV GLOBO (do qual sou telespectador) é um exemplo. Desde que conheci  o programa ja vi variadissimos quadros mudarem e passarem a história, mas aquele  papagaio esta aí vivo e sobreviventemo.
Muito recentemente procurava eu mostrar um documento ao meu amigo Antonio Alentejo, quando acidentalmente esbarrei no meu arquivo de fotografias e o abri. Como um azar não vem só veio igualmente a calhar a fotografia de Manuel Vieira. O meu amigo de pronto perguntou de quem se tratava e eu lhe disse a verdade. Admirou-me a maneira como retorquiu: aquela voz toda é deste puto? Segundo o meu amigo o Manuel Vieira idealizado na sua mente era no minimo um homem de 2 metros de altura buchechudo e enfatado. Era a ilusão que lhe passava pela cabeça. Simplesmente a foto real do homem quebrou essa imaginação.
Outro amigo, ligou-me de proposito para perguntar se o João Pinto que via numa determinada manhã na TPA era o mesmo que habituara a ouvir nas manhãs da Ecclesia. Depois de lhe dizer que sim ele disparou: sinceramente o julgava mais soft. Na televisão parece um tipo enfiado em um facto. Não parece ele. Perguntado porque o meu amigo revelou que a voz que ouvia na Ecclesia era de um homem veloz, cheio de energia, sacudido o que não parecia na imagem que tinha no pequeno ecran.
Continuando nessa senda poderia citar o exemplo de uma outra amiga que me revelou que o Amilcar Xavier que via na Zimbo se parecia a aquele que começou a ouvir no dia novo nos  anos 80/90 da RNA porem um pouco mais crescido. Perante minhas interrogações revelou que os oculos lhe davam “outro ar”.
O meu irmão mais velho, Simão, a primeira vez que o apresentei a Eduardo Magalhaes nos corredores da RNA ficou impressionado e ate hoje mais de 15 anos decorridos continuam a dizer que conhece essa voz. Quanto a mim tambem sou a sua mascote por lado onde passa. Gosta de exigir o nosso apelido para mostrar a alguns poucos admiradores meus que eu er era seu irmão de Pai e Mãe. Portanto a voz na radio é mistica e se dependesse de muitos ouvintes bom seria que nunca chegassem a conhecer fisicamente os seus idolos. A isso acresço o facto de que boa radio, que cativa sua audiencia depende da qualidade de som que transmite e portanto vai dai a necessidade de termos de fazer da qualidade do  som para a radio uma preocupação permanente de quem o produz porquanto ele encerra o cerne da existia da magia deste media e consequentemente o engodo para manter as audiencias. Ignorar a qualidade de som é separar-se da razão de existencia de qualquer produto de radio os ouvintes, os seus consumidores, portanto os seus servidos.
Vai daqui a minha insistencia em todas as formações que concebo e faço para equipas de radio insistir e colocar acento tonico na qualidade do som. Isso pressupoe qualidade desde o momento que ele é ideializado, captatdo, editado e alinhado para a emissão. Trocar um RM de um interlocoutor do sexo feminino por um outro do sexo masculino suscita as mais variadas formas de reação. Uma vez ouvindo radio ao lado de um velho da terceira idade na cidade de Ndalatando o locutor acabava de anunciar entrevista com um administrador municipal do Bolongongo para o caso Daniel Passala, mas sequencia dos registos estava errada e começou a tocar o da Ines  Muhongo. Não so era trocar um homem por uma mulher mais o velho conhecia claramente a voz do daniel Passala alias o mesmo era seu conterraneo. Em reacção disse: sinceramente na  Camunday tudo é possivel, o Passala agora virou mulher?
A Radio Camunday, (pessoalmente acho o nome giro), é a alcunha que foi dada a Emissora provincial do Kuanza Norte nos anos 80 pelo seu limitado raio de acção nos tempos em que emitindo com um emissor  em ondas medias  de 1 kw as vezes não chegava em condições no bairro Catome de Cima. Essa dificuldade veio a ser colmatada com a instalação de um emissor de 10 e o alargamento da altitude da antena dando algum ganho a capacidade de propagação do sinal mas o nome ficou até aos dias de hoje.
radio é som  e os bons apreciadores deste media deixam-se envolver por aquilo que MEDITSCH classifica por  “um fenómeno vibratório capaz de provocar uma sensação auditiva originada pela vibração(...) produzindo ondas que se propagam no espaço tridimensional, transmitindo por sua vez a vibração para os demais corpos que encontram pelo caminho”[1][1]. Apesar do sistema auditivo ser o principal canal de entrada para a percepção deste produto fazer “boa emissao de radio” implica pensar nos restantes sentidos do homem. Precisamos fazer com que os ouvintes ouçam, apalpem, sintam o nosso produto.
Anna Richardson, minha primeira treinador em treinamentos para produtores de radio nos tempos da IRIN Nacções unidas quando nos propusemos a capacitar reporteres para servirem comunidades rurais afirmou um dia que o bom som transporta o auvinte até ao local descrito na nossa peça. Quando reportamos algo no exterior desde que pintemos bem o quadro podemos transportar o nosso ouvinte fazendo-lhe sentir o cheiro da flora se na floresta de Maiombe em Cabinda ou o da polvora se em pleno campo de batalha. Podemos ainda faze-lo apanhar chuva, sol ou frio. Tudo pedende de como vamos usar os pinceis e as diferentes tonalidades para montar o quadro. Aqui misturamos arte com jornalismo, produção de radio com criatividade tudo atraves do recurso ao SOM.
Acabava de chegar do Kuanza Norte, onde o meu caça palavras era um dispositivo de tecnologia de ponta na altura e me servia até para reportar grande factos incluindo coberturas de visitas ministeriais e do governador local com cujas gravações mereciam direito de emissão no Manhã Informativa ou ainda nos principais Jornais da RNA. Nosso unico estudio de radio onde coabitava a emissão e a edição tinha gravadores Revox e um sony porta cassete digital. Parecia o que de melhor se poderia ter na altura. As promessas de equipamentos de ponto que ouviamos repetidas reiteradas vezes nas vozes dos responsaveis nacionais da estação não passavam disso. Na altura solicitara licença na RNA pra experimentar outros ares profissionais motivado pelo desejo de se juntar a familia que deixara em Luanda tendo regressado a Ndalatando no pôs acordo de Luzaka para reabrir as emissões da RNA.
Quis a ironia do destino que atraves da associação Maos Livres aquela departamento adistrito a OCHA-Nações Unidas, estivesse a começar um projecto em Angola e eu ja jornalista ser indicado pela direcção da ONG da qual era colaborador e representante na provincia  conseguisse chegar a formação orientada por aquela profissional que ja tinha trabalhado como correspondente da BBC em Angola acabara de terminar sua formação na area de comunicação.
Durante o nosso encontro nessa formação acabei por conhecer mais uma ferramente a qual continuo apegado até hoje e aconselho muito boa gente a fazer o mesmo percurso: COOL EDIT PRO um programa de edição digital. Foi a primeira vez que pude ver uma banda sonora a ser manipulada de maneira visual pois até ali me servia unicamente do ouvido para fazer coisas antes atraves da AMPEX e depois atraves da REVOX. Confesso que começava uma revoção em mim que até hoje apenas vai no inicio.







[1][1] MEDITSH(1996:127), citado por Mariana Bessa em  “O ASPECTO VOCAL NO RADIO JORNALISMO”


JORNALISMO INVESTIGATIVO
Sem estabelecer um conceito unico e redutor quem incentiva jornalistas a praticarem jornalismo investiggativo  deve conduzir a equipa a perceber que a característica marcante da reportagem investigativa e o descobrimento de informação que não é fácil de obter através de fontes habituais de informação de primeira linha.
Por exemplo: Reportar um jogo de futebol ou uma conferência de imprensa de um ministro não constitui jornalismo investigativo. Em ambos casos o repórter só descreve e analisa um acontecimento publico, presenciado por muitas outras pessoas, entre eles, outros jornalistas. Porem, descobrir quanto pagou um clube de futebol para contratar um novo jogador estrela se essa informação não for publicamente divulgada, é sim um projecto de jornalismo investigativo.
Descobrir um acto de corrupção perpetrado por um ministro e obter provas do mesmo é também jornalismo investigativo.
Grosso modo foi nessa perspectiva que eu e meu grande mestre Robert Powell preparamos e realizamos um pequeno treinamento e consequentemente consolidamos as nossas ideias em um manual a sair sob chancela da BBC WST Angola. Desde aquele momento me apaixonei e auguro que mais profissionais se apaixonem por essa vertente pouco comum ainda entre nós em Angola.
Nessas lides em que me iniciei (como formador), muito se fala sobre as reportagens realizadas de forma clandestina e em alguns casos se tenta conceituar esta verdade do jornalismo como sendo o jornalismo investigativo. Se engana quem assim pensa, porque apesar de ser uma das formas de fazer investigação jornalistica na realidade a maior parte da reportagem investigativa e feita usando as ferramentas normais do repórter que se identifica abertamente como jornalista, porém, a chave da boa reportagem investigativa é rigor, equilibrio e profissionalismo na pesquisa de informação e na sua apresentação ao público, nomeadamente:

Ø  A persistência na pesquisa da informação.
Ø  O uso da imaginação e criatividade em obter ou procurar informação credível de fontes incomuns.
Ø  O rigor na verificação da informação obtida – a confirmação dos factos.
Ø  Atenção aos detalhes – a análise de detalhes chaves pode levar a conclusões importantes.
Ø  A apresentação justa e equilibrada dos factos de maneira a dar um quadro completo da situação que reflecte a realidade total.
Ø  A demonstração clara de que os factos revelados são importantes para o bem publico. (É importante não confundir o interesse das pessoas numa historia suculenta, como um escândalo sexual, com o interesse publico. Toda reportagem investigativa que revela aspectos da vida intima dos inqueridos deve-se justificar pelo bem publico produzido por tais revelações).

Antes de fechar essa reflexão gostaria de me referir aos propalados PERIGOS DO JORNALISMO DE INVESTIGAÇÃO. Na verdade nem sempre é perigoso exercer essa variante do jornalismo. Depende do tema e do contexto político em que o jornalista trabalha. O jornalismo investigativo não tem de ser uma questão de: “Bater o leão com a vara curta”. É importante frisar que se o jornalista mantiver um alto grau de rigor e de profissionalismo no seu comportamento e sobre aquilo que publica, correrá sempre menos perigo apesar de termos de admitir que este perigo existe.
Por isso é essencial basear todas as informações dadas e todas as análises feitas na publicação de factos certos bem verificados junto de fontes credíveis. Portanto quem como eu se quer iniciar nessas lides tem a caminho um contributo da BBC WST  (que ja referi) e modestamente o meu para partilharmos conhecimentos e experiencias maravilhosas que podem engradecer essa nobre profissão para a qual que entrego de corpo e alma.
VAMOS FAZER JORNALISMO INVESTIGATIVO A BEM DA PROFISSÃO E DA NOSSA QUERIDA ANGOLA.