sábado, 31 de janeiro de 2015

UMA IGREJA, UMA OBRA PARA CONTEMPLAR

Na vila de Camabatela fica uma das mais lindas igrejas catolica romanas de Angola e quiça de África, mas na ida a sede do actual Ambaca se pode espevitar a visão olhando para um postal intermedio, a Igreja Catolica de Samba-Cajú.
Não obstante não ser do quilate da de Camabatela, também merece nossa reverência. Agora melhor um pouco porque levou uma nova pitada de tinta. Bem haja!!!
Pena que não tenha encontrado o Mengueno no seu posto...

domingo, 28 de dezembro de 2014

AINDA AO KAMBA ISIDORO



A prática tem demonstrado que por essa via utilizada pelo nosso ilustre Isidoro Natalício para debitar a sua contribuição para uma comunicação social mais sã, com a melhor das intenções acho, os resultados não tem sido dos melhores.
Não só tem reacções adversas de um e de outro, como é directamente criticado e ou aconselhado por variadíssimas pessoas, se bem que também devemos considerar que é apoiado por uma significativa fatia de companheiros.
 Para mim precisamos cristalizar dois aspectos fundamentais. De um tempo a esta parte (para ser mais preciso, desde a saída do Isidoro dos cargos que ocupou na província que mais ou menos coincide com a conclusão da licenciatura em Ciências da Comunicação) o companheiro tornou-se um aguerrido crítico do desempenho do nosso jornalismo e da nossa assessoria institucional.
Tem discorrido por essa via rios de argumentos, apoio alguns e refuto outros. Olhando só e somente para este contexto a conclusão que se pode chegar é que o companheiro quer contribuir para a mudança.
A pergunta lógica e que não se cala em mim é: porque só agora o companheiro se tornou tão crítico ao desempenho do jornalismo angolano?
Carlos A. Guerra, autor do conteúdo da Cadeira de COMUNICAÇÃO INTEGRAL no mestrado em Ciências da Informação na Universidade Europeia do Atlântico apresenta-nos algumas características essenciais da comunicação interpessoal que nos podem valer no vertente caso.
Uma das características, é o princípio da irreversibilidade da comunicação. “Uma vez que tendo dito algo, não podemos voltar atras, o que se comunica não tem reverso”. Por essa razão é de todo importante planear as ideias com cuidado antes que elas sejam libertas da nossa mente para se tornarem em linguagem. Só assim se evitam os efeitos negativos que uma comunicação inadequada pode provocar.
Sendo o homem. um ser comunicativo por natureza e vocação, é inevitável e impossível viver sem comunicar. Mesmo a “negação a comunicar-se é em si um acto comunicativo”.
Portanto estamos sempre e permanentemente em comunicação. Sendo assim devemos cuidar ao pormenor das mensagens que lançamos e que são apreendidas por todos os sentidos de que nos servimos (audição, olfacto, tacto, visão, paladar...) e na comunicação escrita deve ser preocupação o que os sinais e signos transmitem e o que transparecem transmitir.
A sabedoria popular nos aconselha a saber ler nas entrelinhas. Tudo isso, faz parte do nosso sistema comunicativo no contexto global. Os estudiosos estabelecem duas leis básicas para a comunicação interpessoal:
1 – O que A diz não é verdadeiro, o verdadeiro é aquilo que B entende.
2 – Quando B interpreta erroneamente uma mensagem de A, a responsabilidade é sempre de A.
Ou seja, na comunicação interpessoal, o peso da comunicação recai sempre no emissor. Ao emissor cabe a missão de se certificar de que o receptor entendeu correctamente. Se o emissor deixa em segundo plano esta verificação, não pode responsabilizar o receptor se a compreensão for errada.
Portanto para mim, a insistência com que volte e meia nos brinda com as suas construtivas críticas deve ser reconfigurada para uma nova forma de exercício. Um exercício que possa ser mais didactico e mais persuasivo.
Talvez por essa via logremos maiores êxitos e assim, sim, estaremos a exercitar a nossa cidadania e a mostrar com argumentos e praticabilidade os degraus que vamos vencendo no sinuoso caminho da instrução e aprendizagem. Quiçá na Academia.
Tenho dito.

sábado, 27 de dezembro de 2014

UM RECADO AOS MEUS CAMARADAS ESCRIBAS DA CIDADE JARDIM



Comentei muito recentemente um post do companheiro Isidoro Natalício e a seguir mereci honras de um telefonema para uma conversa doce, cordial e calorosa.
Agradeço a gentileza.
Mas vou ser sincero e se calhar um pouco duro.
Regularmente o Isidoro olha para o roll de incongruências com as quais a nossa media nos brinda todos os dias, se esquecendo que alguns dos autores dos erros actuais, podem ter sido vitimas de um sistema de aprendizado do qual o próprio também fez parte, alias, chegou a dirigir uma equipa inteira de jornalistas, para o caso a do Jornal de Angola no Cuanza Norte onde foi delegado durante quilométricos anos.
Os mesmos que hoje dão a notícia do “CÃO QUE MORDEU UM HOMEM” portanto, notícia óbvia ou ainda notícia sem notícia, podem ter sido alguns da geração que nosso ilustre veterano ajudou a forjar (?). A ser assim, então o Isidoro esta a beber do sem próprio veneno.
Os nossos editores, directores e responsáveis da década de 90, (falo particularmente do Cuanza Norte) fizeram muito pouco para formar uma geração de profissionais digna de ser a substituta de um colectivo que brilhou nos primeiros anos da novel Angola.
Os poucos que se firmaram o fizeram fruto de algum dom natural, arrojo, persistência e alguma dose de sorte.
Senão vejamos. Isidoro Natalício, Simão Kilama, Abílio Correia, Miguel Cândido, Feliciano Quiangala, Pacheco, Borges, Katula, Marcos Bernardo, José Augusto, Rui Serafim, Lucas Ricardo, Evaristo Panzo, Justiça Belengue e companhia (desculpem-me se terá faltado alguém) a “geração dos expoentes máximos” de escriba província, terão sido no conjunto, maus instrutores, péssimos orientadores e até certo ponto uma geração egoísta ao se terem fechado em copas quanto a transmissão de conhecimentos.
Não conheço muitos casos em que são mencionados como tendo sido mestres de alguém o que por si só é grave. Ao que tudo indica, Cuanza Norte não terá sido caso único.
Estarão lembrados, os do meu tempo, que até tocar numa máquina dactilografa robotron nas nossas redacções era pecado. Usar uma uher era um sacrilégio e mandar um despacho para Luanda era o fim da picada. O espaço mediático da província, que se circunscrevia a N’Dalatando, era um reduto reservado a uma “ínfima minoria” onde pouquíssimos tiveram oportunidade de se aproximar.
Ainda guardo fresco na memória, mas sem mágoas, a segregação praticada pelos nossos “seniores” dos tempos idos que só nos mandavam em reportagens de quarta ou quinta categoria.
Os nossos “brilhantes” locutores que só nos pediam para fazer anúncio de estação no final de semana quando fossem embora usufruir das fortes farras na feira, no pavilhão Chefe Príncipe ou nos bares da Emprotel ou ainda curtir um daqueles filmes que parava a cidade.
O que quero dizer é que não houve um processo formativo do tipo de passagem de testemunho do mestre para o aprendiz. Os nossos erros foram sempre motivos de chacota e em algumas ocasiões justificativa para a expulsão.
Que o diga o Belengue, se é que ainda se lembra, que me tirou da cabine de emissão por ter colocado acento tónico na ultima silaba do nome da capital do Gana. Na altura disse: rua e nunca mais voltas aqui.
O Belengue era somente o todo-poderoso CHEFE DO SECTOR DE PROGRAMAS.
Nos dias de hoje idem, não há um processo formativo nas nossas redações. Dizem os que as frequentam que os que sabem, continuam a fechar-se em copas e a fazer troça dos erros dos principiantes.
Sendo o jornalismo uma profissão apetecida, a juventude tomam-na de assalto, refugiados nas suas lindas silhuetas, nos seus vozeirões mais ou menos apreciáveis nos áudio visuais e na sua prosa decorada que mais se assemelha a literatura do que propriamente ao jornalismo.
Mas do que olhar para os erros de hoje (convenhamos, temos erros de sobra) precisamos descer o mais fundo possível, pensar o mais longe e subir o mais alto na procura de soluções originais e adequadas ao tamanho mal que nos apoquenta.
Não devemos fazer dos conhecimentos adquiridos uma peça museológica de nossa colecção privada. Não exibamos a nossa progressão académica como um trofeu inalcançável para os outros e nem pensemos que como de um golpe de mágica de repente os outros estão todos errados e o certo sabemos nós.
De forma didactica, mas urgente, tem de ser despoletado o debate. De forma policial devem ser expurgados os “paraquedistas” e com coragem devemos separar as águas e saber quem é quem.
Não podemos continuar a nos arrogar ao privilégio de sermos jornalistas quando nos apetece na cachimónia como disse um dia um político; eu também sou jornalista.
Será possível um dia um jornalistas irromper num bloco operatório de um hospital e autoproclamar-se médico? Será possível um dia em pleno tribunal um bom redactor autoproclamar-se juiz?
Ouvi recentemente um respeitado sociólogo, docente universitário dizer que alcançou o grau de doutor na sua formação pelo que é professor titular na faculdade em que lecciona e o “jornalismo é a sua segunda profissão por adopção”.
Agora perguntou: eu também posso adoptar a sociologia como a minha segunda profissão, só porque brinco de sociólogo fruto de um par de leituras curiosas que fiz a uma certa bibliografia que a minha comadre Mixingi me ofereceu na tentativa de me cooptar para a sociologia?
Portanto, companheiro Isidoro, desculpe o atraso, mas alguém tinha de dizer a vossa geração que foi egoísta, pouco dada a formação e passagem de testemunho e hoje os escribas que vos servem são os vossos próprios “discípulos” que podem ter aprendido mal o ABC e pior um pouco, a substituir os actuais está outra geração que mal chega a entender que jornalismo estuda-se a tal profundidade que em breve se enterra a geração dos JORNALISTAS POR VOCAÇÃO. Alias, começam a escassear as vocações. Que o digam os católicos!
Confesso que não guardo recalcamentos, alias a indiferença e a falta de partilha da vossa geração forçou-nos a procurar alternativas e hoje podemos orgulhosamente dizer que aprendemos a lição, nos adaptamos e sobrevivemos. Ainda andam por aí alguns exemplares se bem que em vias de extinção.
E ainda vais a tempo de te redimires companheiro.
Finalmente e não menos importante. Os camaradas Silvino e Setila. Primeiro não é de bom-tom que continuemos a trocar animosidades pouco urbanas por essa via. Nem a idade, nem o estatuto profissional e nem o nível académico que ostentam são compatíveis com tal.
Não há ninguém neste mundo que diga tantas inverdades sem que se engane e diga uma verdade e nem verdades que sejam tão verdadeiras que não contenham uma inverdade.
Vós estais condenados a conviver na harmonia, apesar da diferença. De vós esperam-se bons exemplos, porque é já vossa missão fazerem diferente e tentarem deixar esta profissão, que cada um abraçou pelas mais variadas razões, melhor do que encontraram e melhor um pouco do que esta agora.
Pra terminar um desafio: porque não um malavu bem a maneira antiga no sitio do Velho Zizi, alias é Natalício de Natal, não?

sábado, 23 de agosto de 2014

NA ACADEMIA ALUNO NÃO PENSA E PONTO FINAL?



Hoje revisitei o meu blogue. Vagueei nele a ver publicação em publicação as minhas baboseira. Vi, quantas fotos já publicámos, quantos pequenos e médios artigos, quantos postos de entretenimento, quantas retomadas e tentei perceber quanta bibliografia tinha acessado para sustentar alguns argumentos de razão que apresentei. Também fui visitar os comentários, o número de visitas que já recebi e toda a panóplia estatística que o serviço oferece.
Andei, num passeio que confesso subiu o mais alto e desceu o mais fundo e foi o mais longe no meu cantinho MAMBWENE. Confesso a vós irmãos que apesar de não ser obra por ai além, sinto-me satisfeito e recompensado.
Compensado, porque a abertura deste cantinho visou um objectivo fundamental. Desenferrujar a minha cachimónia como forma de me preparar para o alcance de uma meta: fazer a monografia para a obtenção de licenciatura numa faculdade de Ciências Sociais e Humanas de uma tal universidade.
E como desenferrujou e me ajudou a espevitar a minha curiosidade! Fiz esforço de identificar as fontes das citações que usei, os artigos que não são de minha autoria que retomei estão identificados e em alguns textos já tinha começado a prática de colocar a bibliografia em rodapé no final de cada artigo.
Falei um pouco de tudo. Desde os temas sociais a política. Das constatações as revelações. Um pouco de tudo. Ao fazer isso, estava tão-somente a treinar para a grande meta: o meu trabalho de fim de curso. Desde logo aprendi que devemos ser honestos nas referências bibliográficas, mas nunca ninguém me disse ou nunca li em literatura nenhuma que fosse proibido parafrasear ou construir nossas próprias ideias abstraídas do senso comum ou do entendimento que temos das coisas, dos fenómenos e da realidade vivida. Alias, "eu penso e logo existo" e por isso com direito a opinião própria.
Como disse um dos críticos “os estudantes tem de citar as fontes, não é possível ideias bem formuladas em parágrafos onde não aparece de onde tiraram isso. Este comportamento configura plágio”.
Pois é, bem me parecia que ser aluno é não ter opinião, não saber escrever uns tantos parágrafos ou encadear uma serie deles sem fazer recurso a escritos de outrem!
Lixa-se, só me faltava mesmo essa.
Já não será de estranhar se me perguntar quem é o autor das fotos com algum valor artístico ou jornalístico que tenho neste blogue…
De onde chapei os artigos, que não obstante os erros fazem algum senso e se aproximam de algo com alguma lógica.
Ou ainda quem é o autor do blogue do qual me intitulo ser autor.
E Blá, blá, blá…
Que se lixe a vossa praxe. Aqui ao menos eu sou eu mesmo.

sábado, 2 de agosto de 2014

QUSSANGA VAI PINTAR O MBUITI



Por algumas semanas publicitei no facebook o “novel ponto de encontro dos últimos tempos” que iria dar uma volta a minha amada terra, o Bolongongo. Propósito fundamental visitar familiares, amigos e conterrâneos e “matar a premente saudade”.

E de facto no dia 25, com um pequeno grupo de naturais e amigos, fui a terra. A chegada, A primeira contrariedade foi ver que a estrada esta cada vez pior, o que me levou a dar uma volta enorme, passando pelo Mau (Ambaca) única alternativa para evitar o sofrível troço Samba-Caju Quiculungo.

Chegados a terra, rapidamente esqueci o sofrimento da estrada e uma mistura de alegria e nostalgia evadiu o meu sentimento: rever a minha primeira igreja, a minha primeira sala de aulas, a primeira casa, etc. etc.

Lembrei-me da mãe , do pai, das minhas irmãs (todos já partiram para junto do pai) e para não chorar sempre escolhe por abafar as lágrimas trazendo ao de cima as boas lembranças.

choveu Malavu, muito funji, ginguba e outros quitutes!!!

Mas a grata surpresa foi encontrar por lá, e mais uma vez por amor a terra, um pintor consagrado, uma artista distinto cuja obra Angola e o mundo conhecem. Encontrei no Mbolongongo, Gabriel Quissanga, um artista plástico autor de quadros que hoje em dia fazem parte de colecções de homens e instituições distintas.

Quissanga, disse-me que, tinha tomado a decisão de deixar a azafama de Luanda um pouco distante e retornar a terra, para quem sabe, se olhando para o Mbuiti, revisitando o cenário onde começou os primeiros rabiscos que depois vieram a se converter em refinada arte surrealista, possa se inspirar e produzir uma nova serie de obras plásticas melhor que todas que já produziu.

Que bem-haja!

Gabriel Quissanga, participou de dezenas de exposições colectivas e individuais, representou as artes plásticas angolanas em variados momentos no estrangeiro e tem quadros na colecção de Mário Soares, BNA, ENSA, dezenas de políticos e figuras públicas angolanas, só para citar alguns da extensa lista da qual já perdeu a conta.

Nasceu em 1964, na aldeia de Cahombo. É membro da União Nacional de Artistas Plásticos, UNAP, e do Clube das Artes e Ofícios.
Autodidacta de formação, desenvolveu, desde 1994, a prática da pintura, decoração e cenografia.
Participa em várias exposições individuais e colectivas em Angola e no estrangeiro, estando representado em várias colecções particulares e oficiais, tanto nacionais como estrangeiras. 
Parabéns Mano. Que venham muitas obras e se inspiradas pelo Mbuiti, Muanza e todos os outros motivos da nossa amada terra melhor um pouco.

Ei-lo aqui na sua terra e fazer o que de melhor sabe: PINTAR!!!