terça-feira, 20 de agosto de 2013

ASFALTO PARA QUICULUNGO E BOLONGONGO

Já escrevi aqui no meu cantinho que se há algo que o governo não precisa de fazer propaganda para mostrar que esta a fazer, são as estradas. A sua feitura esta a vista de todos que são beneficiários e utentes. Hoje andamos de lés a lés melhor do que ontem.
Em algumas províncias ate já se começou o trabalho de estradas de ligação a municípios e comunas. Ora, sendo assim tenho motivos de sobra para perguntar pelo destino que se vai dar a iniciada estrada que liga o município do Samba-Caju aos da Banga, Quiculungo e Bolongongo. Não consigo precisar a data, mas a obra começou a alguns anos atrás e era como que o devolver de esperança a todos os filhos da região norte do Kuanza Norte, porque verdade seja dita, só por grandes causas ou motivos inadiáveis arriscamos submeter nossos carros ao martírio dos pouco mais de 40 Km de Samba Caju a Bolongongo.
Os trabalhos andam paralisados e hoje motivo de muitas especulações de muito boa gente dos 3 municípios. Na minha ultima viagem, a volta da estrada, ouvi desde o ridículo ao caricato, do absurdo ao mito. Tudo porque o empreiteiro abandonou a obra sem dar uma explicação ou o dono da obra perdeu interesse nela e não disse nada aos beneficiários.
Cá por mim digo que os loiros do Kuanza Norte estão a ser mal divididos. Para uns se dá tanto beneficio, como caso do Golungo Alto que tem duas ligações para a sede da província, asfaltadas e para uma região completa não se consegue acabar a primeira ligação asfaltada da sua historia.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

MIAU, MIAU, MIAU...

Esta semana sem duvidas a CASE CE, na pessoa do seu vice-presidente somou valiosos pontos e soube influenciar bem a agenda setting da midia. Tudo começou no facto do deputado MIAO ter dar uma boa entrevista ao semanário a capital e logo a seguir ter sido um bom entrevistado para José Rodrigues no Café da Manhã do dia 13 de agosto.
Os pronunciamentos do deputado caíram na escolha da jornalista Suzana Mendes que os levou ao programa ELAS E O MUNDO de 14 de agosto e por endosso o noticiário da LAC a noite retomou o mesmíssimo extrato as 19 horas.
Para abonar ainda mais, o deputado foi ouvido a propósito do encerramento do nosso parlamento a 15 de agosto para as merecidas férias parlamentares. Portanto, essa semana só deu MIAO.
Para um país onde oportunidades na mídia só são para alguns, a CASA CE pode comemorar e dar-se por contente por tamanha oportunidade.

JOVENS, BEBE QUE NÃO CHORA, NÃO MAMA

Por mais que se tente tirar o mérito aos jovens quando as motivações do CONCLAMADO DIALOGO JUVENIL a historia vai registar que tal iniciativa lhes pertence. Acredito que se não fosse os sinais de protesto e o impacto de alguns discursos mal planeados que enfureceram cada vez mais os jovens se calhar hoje ainda continuássemos a pensar que as suas reivindicações são acções de uma minoria, um grupo de frustrados, e por ai em diante.
Já bem o diz o ditado: bebe que não chora não mama. Portanto cá entre nós tem de ficar a lição de que quem quer ser ouvido tem de gritar em uníssono, pressionar, tentar fazer-se ouvir e aproveitar todas as oportunidades.
Parabéns aos promotores, mais acima de tudo e antes de tudo, parabéns aos jovens de todas as latitudes que forçaram a barra e agora estão a ser ouvidos.
Mas do que ouvi-los, estamos atentos as soluções dos seus problemas.

O TANQUE DAS ABELHAS DO ANDULO

Acabei de regressar de mais uma excitante viagem pela maravilhosa Angola no usufruto dos benefícios da paz como gosta de acentuar o kota Wezzo. Desta vez, de uma só sentada conheci Cangandala, Mussende, Andulo e Kalussinga. Na verdade entrei por esse troço motivado por informações que indicavam que o troço era mais curto que voltar para o Dondo para tocar Huambo e de que a estrada já estava muito boa.
Fui enganado, mas digo, felizmente enganado. Primeiro, a distancia é quase a mesma com a que teria percorrido se regressasse de Malange para Ndalatando, Alto Fina, Quibala, Waco Kungo, Alto Hama para tocar huambo onde o meu irmão JP me aguardava. E Segundo porque a grande parte do troço de estrada ainda não esta pronta.
Mas reitero felizmente enganado porque pude conhecer novas localidades de Angola que até aqui via apenas no mapa. Pude igualmente reconfirmar que temos uma imensidão de solo, fauna e flora que devemos nos dar por bonificados excessivamente pelo Criador, tais eram as distancias sem uma alma humana ou vilarejo, ou sanzala. Mas, bastantes cursos de água, diferentes espécies florestais e de tempo em tempo abundantes animais da selva mesmo que a maior das vezes aves.
Também pude reconfirmar a grande obra que o governo fez e continuar a fazer de ligar Angola de Cabinda ao Cunene com estradas e pontes transitáveis. É obra! Já disse uma vez e repito se alguma obra do executivo dispensa propaganda são as estradas, com apenas um senão: é preciso manutenção.
Como não há viagem sem uma boa estória então vos conto a estória da foto acima.
Tentado por guardar uma lembrança da viagem e depois de pousar sobre o tanque de Cangandala, quis fazer o mesmo com outro que encontrei depois do Andulo. Verificados sinais de frequência humano naquele escombro de veiculo, prudentemente subiu no seu topo e sentei para sacar uma boa foto. Antes que o Mbaxi a tomasse uma abelha veio infortunar-me. Afastei-a com uma palmada e lá se sacou a foto.
O Mbaxi, macaco imitador, e só porque agora tem uma coisinha que também tira foto decidiu seguir-me as pegadas. Subiu no tanque e quis fazer a mesma pose. Para azar dele, do nada irrompeu um ataque fulminante. Um enxame de abelhas vinha a caminho e pronto para mostrar de quem era o tanque.
Nem tive tempo de fazer o click e batemos em retirada com os vidros do veiculo fechados o mais longe possível. Portanto Mbaxi da próxima procura outra puzi meu mano.

domingo, 23 de junho de 2013

UMA POR 100 OU 10 POR CEM TANTO FAZ É ANGOLA


Todos os dias surpreendO-me com as mil ocorrências que desfilam a minha frente neste país especial de gente especial que especialmente se chama Angola. Acabei de comprar a porta do meu casebre um peixe seco ao preço de 2 mil kuanzas e a dona Guida duas cebolas do tamanho do meu punho cada uma a 100 kuanzas.
Surpreso disse a zungueira que estava a vender a cebola muito caro e a resposta obviamente foi: mano sta bom, nós também nu tamos ganha nada!!!
Foi então que me lembrei de ter comprado a uns tempos atrás 10 cebolas do mesmo tamanho ao preço de 100 kuanzas nos arredores do Lubango. Ali o meu espanto foi por ter sido muito barato, mas a zungueira agradeceu-me porque segundo ela já não tinha muitos dias para continuar a comercializar aquela colheita  pois, a seguir estragava-se.
Por lado uma cebola a 100 kuanzas, e no outro 10 cebolas do mesmo tamanho ao mesmo preço!!!Mesmo assim, ainda alguém ousa negar que não somos um povo especial, em um país especial e com ideias especialíssimas?

PROGRAMA 100 DUVIDAS, A HISTORIA POR DETRÁS DO NOME

 

Uma pessoa amiga abordou-me recentemente para lhe explicar ao certo porque o programa 100 DUVIDAS  da Emissora Católica de Angola se chamou assim e o que significava na verdade. Pois bem vou contar-vos a HISTORIA POR DETRAS DO NOME fazendo recurso as minhas notas.
O nome do baptismo do programa é 100 DUVIDAS. Tal designaçao foi um dos primeiros “osso duro de roer” E simultaneamente o primeiro exercicio de democracia participativa onde a força do voto suplantou as restantes pois, não surgisse o projecto do conceito de BOA GOVERNAÇÃO E DIALOGO ENTRE GOVERNANTES E GOVERNADOS.
Num certo dia do ano de 2009, em umas das salas do escritório da BBC WST Angola juntaram-se os futuros integrantes da equipa de produção, quadros do parceiro BBC e um representante da União Europeia para dar o primeiro pequeno grande passo que viria fazer historia na Radio Ecclesia.
Varias propostas de nome foram colacadas a mesa e o que parecia pacifico tornou-se pesaroso e calorosamente debatido a tal ponto de não ter sido alcançado consenso entre os participantes.
Perante tal impasse a solução a contendo de todos foi o classivo SUFRAGIO UNIVERSAL SECRETO. Para os participantes ao encontro era apenas mais um formalidade mas, para os mentores na iniciativa era o principio daquilo que viria a ser estabelecido como o principal recurso do programa: o debate das ideias até a exaustão na procura de melhor angulo de abordagem a bem da satisfação da audiência.
Foi assim que das varias propostas o “estranho”100 DUVIDAS foi o mais votado.. Finalmente o futuro programa tinha um nome.
Solicitada a justificava aos proponentes, ninguem conseguiu fielmente traçar as reais motivações da escolha nem estabelecer o perfeito juizo da significação do nome. Desta etapa retivemos a seguinte frase “um trocadilho de palavras que carregava o intenção do conteudo a sua atras, um conteudo que não deixasse duvidas na sua audiencia ou ainda que fosse atras das respostas das centenas de duvidas nos cidadãos angolanos”.
Portanto sem medo de errar este foi o marco de partida das calorosas e acesas discussões que a equipa viria a ter colocando enfoque no ouvinte e na satisfação das suas aspirações individuais ou colectivas mas nunca perdendo de vista os principios basicos de produção de uma “boa”materia jornalistica: verdade, imparcialidade e objectividade. 




quarta-feira, 19 de junho de 2013

AO PRODUTOR QUE PROCURA A MINHA AUDIÇÃO

Continuo prezo ao vicio de ouvir radio, porque cresci a ouvi radio e apaixonei-me por este meio. Mas, todos os dias quando traço um itinerário de audição bato na rocha como diz a Patrícia Faria.
Presumo que no mercado de produção de conteúdos radiofónicos, estão muitos produtores que antes de aprenderem o suficiente já se julgam como estando no podium.
Por favor falem ao meu ouvido e a minha alma. Eu não sou um receptor passivo...
Adriano Lopes Gomes no artigo O RÁDIO E A EXPERIENCIA ESTETICA NA CONSTITUIÇÃO DO OUVINTE, depois de afirmar que “a radio é um veiculo de comunicação de massas que apresenta o sentido midiático da alteridade” recomenda que o produtor de radio no seu ofício deve tomar em conta quando produz conteúdos que vai dizer alguma coisa a alguém que deve ser interessante, inteligível e que, sobremaneira, possa catalisar a atenção para aquilo que é comunicado. Manda ainda considerar o “EU” que fala e o “OUTRO” que ouve que mantêm uma comprometida e estreita relação, uma relação de cumplicidade, que só se consegue desde que do lado de quem produz haja vontade de fazer e fazer bem, sensibilidade de supor acertadamente os desígnios de quem ouve e a todo o instante inovação e criatividade.
Zilberman afirma que “só se pode gostar do que se entende e compreender o que se aprecia”. Esta concepção é valida para os estudos sobre a radio, porquanto o ouvinte é atraído por determinada emissora ou certo programa radiofônico em razão do apelo sensorial e racional que tal situação provoca, formulando conceitos e ideias que extravasam a mera explicação de que está sintonizado simplesmente por gostar. O ouvinte tem prazer por ouvir radio e tem ideia clara sobre sua opção. Ao sintonizar certa emissora é impossível ficar indiferente a mensagem veiculada. O acto de escuta possibilita identificação com o produto radiofônico quando aquilo que é comunicado estabelece um sentido com os horizontes de expectativa do ouvinte.
Radio também é arte, do ponto de vista da elaboração do produto de valor estético, configurado nas peças que veicula a todo o momento, ou de natureza sonoplastica, de locução ou expressão vocal. A rádio é catalisador de prazer e consciência estéctica quando o ouvinte vai constituindo um repertório de experiências que se acumula a cada recorrência à audição.
Nesses instantes, os ouvintes são afectados por forças do efeito estéctico. A ausência de imagens explicitas, próprias da TV favorece o acto de invocar cenários e personagens, situações quotidianas e relações familiares ou amorosas, possibilitando assim uma espécie de engajamento. O valor da permanência da radio no horizonte actual e futuro próximo segue baseado na sua capacidade de suscitar efeitos junto a recepção e no seu poder de mobilização.
Portanto o ouvinte de radio é um sujeito histórico, socialmente constituído pelo ambiente cultural, é selectivo e consciente do seu estar no mundo que o circunda e revela clareza na sua opção pela audição. É esse o ouvinte que diariamente reconfigura sua experiência estéctica, ampliando seus horizontes de expectativas. É para esse ouvinte que qualquer emissão de radio, que busca ser bem sucedida deveria trabalhar.

RADIO, UM MEIO APAIXONANTE

A rádio, meio de comunicação de massa, serve-se acima de tudo da sua rapidez, afinal ninguém melhor que a rádio quando o objectivo for dar factos em tempo real. A possibilidade que a rádio proporciona de divulgar os factos no exacto momento em que eles ocorrem fazem o homem sentir-se parte activa, sujeito e protagonista do seu mundo, pois pelos seus órgãos sensoriais é capaz de tão rápida e instantaneamente saber e aperceber-se das ocorrências com interferência na sua vida e dos seus próximos, alias segundo Walter Sampaio, a rádio intrinsecamente coloca o ouvinte dentro daquela "história que passa", no momento exacto em que está passando e, extrinsecamente, abre-lhe a alternativa de acompanhá-la.
Na introdução do livro O VEICULO, A HISTORIA E A TECNICA, o brasileiro Luiz Artur Ferraretto mostra claramente a força da rádio quando nos reporta a versão de Orson Welles para Guerra dos mundos, transmitida no the Mercury Theater on the air. Segundo o autor “a adaptação radiofônica mexeu com as mentes dos norte-americanos naquela noite. A voz e os sons cuidadosamente escolhidos traçaram poderosas imagens mentais”.
Joseph Paul Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler é o exemplo vivo de usar até a exaustão o poder da radio quando controlando este media o transformou em poderosíssima arma de arremesso a favor do nazismo e contra as forças aliadas. Em muitas das suas aparições na rádio transmitiu ‘imagens’ dramáticas acerca dos males que os aliados infringiam ao mundo e por isso a necessidade de aniquila-los ou descreveu convincentes vitorias das forças nazis que quase conseguia levar as audiências a “ver através da rádio”.
Uma imagem singular do acto de proclamação de  independência de Angola a 11 de Novembro de 1975 ficou para a posteridade. Trata-se do momento   de chegada de Agostinho Neto, imagem fielmente descrita naquele dia em directo pela RNA, através da audácia descritiva de Francisco Simons. É sem duvidas um momento marcante e singular, uma das imagens sonoras bem conseguidas que nos leva a “ver através da audição” os instantes anteriores à formalização do nosso estado soberano.
Um dos segredos esta na técnica da linguagem. Mandam os princípios que a linguagem na rádio tem de ser "quente", acolhedora, entusiasmada. Nada formal.  Convém que esteja sempre no presente para enfatizar o imediatismo.  Ela deve envolver emocionalmente e criar intimidade. Portanto, o recomendável para o locutor em radio é dirigir-se ao seu ouvinte de forma directa, no singular oferecendo valores de vida que emocionam.


 

terça-feira, 14 de maio de 2013

O jogo do rato e gato

Passar pelo Estrada do Estádio 11 de Novembro é rotina para mim por dois motivos: primeiro as minhas idas regulares ao Bita Tanque e segundo porque é caminho de uma das superfícies comerciais em que me abasteço.
Neste vai e vem algo me chamou atenção. Ciclicamente e de maneira persistente um pedaço da estrada, meia volta esta em obras e ou quando menos se espera é inundado de crateras. Logo depois chegam umas maquinas e uns homens que fingem reparar e tudo volta a normalidade.
Dura algum tempo e a cena repete. E assim vamos indo. A minha questão é: quem é esse sucateiro que não consegue arranjar uma solução mais duradoura para aquele pedaço de estrada e anda a brincar ao RATO E GATO  com todos nós?

terça-feira, 19 de março de 2013

HOJE TIVE UM SONHO EM QUE...

Queria livrar-me de algo que me corroí e me desgaste vezes sem conta sem que eu ciente de mim mesmo dê conta disso. De algo assassino e silencioso, viciado e ambíguo que teima e persiste em me manter refém nas suas masmorras.
Queria me livrar de uma cidade onde o homem com H grande é aquele que mais xinga e vocifera palavrões no transito, é aquele que contra todas as espectativas de uma longa e sofrível fila de carros parados, ousa começar uma nova e desavergonhada fila mesmo que isso signifique obstruir o sentido oposto, mesmo que isso signifique receber olhares de repudio e reprovação.
Queria sim me livrar deste monstro que nos atrai aos milhões e de uma falsa ilusão nos transmite a sensação que somos angolanos de primeira porque somos vizinhos do presidente, temos a sensação que somos mais importantes porque somos da capital, da nguimbi, mas na verdade e mais bem a fundo somos selvagens, loucos e dependentes.
 Somos sim selváticos, porque os nossos veículos aproximam-se a tal ponto que carro nenhum, excepto o do palácio da cidade alta nunca experimentou a sensação de um beijo de cuja cor do batom herda um sinal por mais ínfimo que seja. Nesta cidade o anormal é normal, por isso riscar em carro de outrem é uma proeza: foi apenas um riscozinho e se pode tirar com óleo dos travões, e já esta!!!
Somos loucos porque não vemos as linhas a delimitar as faixas nas nossas estradas e colocando-as entre os dois pneus dos nossos veículos orgulhosamente onde os “burros” que perdem tempo e dinheiro a sinaliza-las não passam disto mesmo: burros. Pra quê sinalizar estradas nesta minha cidade se todos somos loucos, se onde foram destinadas duas filas de trafego podemos arrojadamente fazer cinco? Porque se o que a linha contínua proíbe podemos fazer? Porque se o que as duas linhas contínuas desencoraja podemos a bel prazer fazer, quando quem devia fiscalizar até acena sorridente porque meu veiculo não é azul e branco e logo, não garantido que receba gasosa?
Porque ir perder tempo na escola de condução se afinal se pode comprar uma carta? Só assim se entende que muitos e muitos garotos usem o “azul e branco” como a única via de poderem satisfazer sem castigo a sua necessidade de mandar mais vidas pra lá da vida, ou seja pra o Camama? Porquê carta de condução, se se pode comprar a bel-prazer uma “multa” que vai ser aceite e respeitada pelo próprio policia que logo ao receber sabe que é uma “engenharia”, contudo, sobre a qual não pode fazer nada porque é tudo normal...
uma cidade amena, mas monstruosa, acolhedora, mas humilhante da qual me quero livrar porque estou cansado de ver travessias seguras vazias e desertas enquanto os peões como que em ritual satanico preferem correr destemidos, tratando a morte por Tu ou mais do que isso, erguer o braço ordenando a que todos parem para enfrentar os riscos de ser atropelado entre as filas desordenadas de carros e carros, mesmo assim sorridentes e felizes e ainda maltratam os motoristas que não colaboram no seu ritual. Sim me quero livrar desta cidade sem ordem.
Nesta cidade ser bom condutor é mbaiar. Nesta cidade ser esperto é ligar o pisca e logo mudar de direcção, o mais rápido para que o veiculo com prioridade bata atrás e logo a razão esta garantida. “Nesta cidade ouvir-se: vai pra isso da ... é uma saudação coloquial. Nesta cidade, não se pode conservar os metritos de distancia entre veículos, tal como um “pateta” escreveu no caduco e novíssimo CODIGO DE ESTRADA. Nesta cidade o corajoso que arrisca e oferece o seu carro para um beijo de vampiro na orgia diária de veículos é o que consegue chegar primeiro. Nesta cidade quem devia organizar o transito também esta ocupado a surrupiar alguns kuanzas na ânsia de juntar o jantar. Nesta cidade a fiscalização prioritária de momento é para as motos rápidas. Nesta cidade somos sim todos pessoas muito ocupadas que não nos importamos em consumir horas e horas no transito, porque acelerando nossos carros para nada estamos a produzir. Estamos a produzir substancias nocivas para poluir e destruir a atmofera porque a nossa vida é agora que se lixe o amanhã.
É uma cidade impar, onde abundam universidades mas elas não produzem conhecimento. So assim se compreende que ao invés de arranjarem-se soluções funcionais para reduzir a mortalidade nas estradas “gradea-se” e pronto já esta! Nesta cidade, depois de gradeadas as estradas, se pode gratuita e livremente usar da força para romper a rede do gradeamente e abrir uma brecha por onde todos passamos, e passamos e passamos. Porque ir-se as passagens de nível? Ora essa. Pode-se embater por prazer num poste de iluminação publica, pode-se derrubar um sinal vertical de transito, pode-se atropelar uma placa protectora e nada acontece, simplesmente o estado providencia volta e repara e tudo fica na boa.
É uma cidade única porque quando se localiza um ponto de constrangimento no transito, oferecemos dinheiro a empreteiros caloteiros que vem com a varinha máxima e trazem a solução acabada e empacotada.
Agora esta em voga ROTUNDAS e RETORNOS. Os retornos trouxeram a esperada inovação que deve acompanhar o crescimento de Angola: transferir os pontos de estrangulamento do transito para novos pontos de tão velho que estão os antigos. E prontos, ja está!
É uma cidade em crescimento onde com o mínimo de chuvisco não se anda. As águas pluviais não tem destino, senão o interior das nossas casas e seus acessos, tudo porque se pode entulhar uma vala natural e erguer uma casa, que se lixe depois a água da chuva que impedida de fazer sua passagem repentina no curso natural, vaza por onde der e poder, a desgraça será de muitos e porque também as autoridades deixam e permitem, não embargam e não demolem as obras que se apossam das passagens naturais das aguas,...enfim.
A grande inovação produzida pelo nosso novel saber inacto é grampear carros mal estacionados nas vias publicas enquanto as sucatas podem continuar imponentemente estacionadas por semanas, meses e anos. Ora, ninguém resgata uma sucata e ainda por cima por 90 mil kuanzas. Alias, pela cidade abundam sucatas reliquias cujos donos rezam que um dia um iluminado da fiscalização dê ordem de remoção, porque em lixo se transformou faz tempo.
Na minha cidade o expatriado sem visto de trabalho pode montar uma kitanda onde na mesma prateleira vende: baterias, colher de pedreiro, batata rena, pensos higenicos, leite, yogurt, sambapito, água oxigenada, frango, massa alimentar, massa consistente, oleo de motor, oleo de cozinha, ou seja um cokctail de produtos e ninguém munge ou tugi. Não aceita devolução, mas ai da zungueira que se atreva a andar pelas ruas a procura do pão dos filhos.
Esta é a minha cidade onde como cantou um malandro artista; “o sofrimento da sungueira, é maior que o provocado por uma guerra”.
Enfim...desta cidade me cansei durante o sonho que tive acordado. Nesta cidade não posso mais e não devo mais continuar a não ser que alguém me arranje um sedativo diário ou uma vacina que acelere a minha loucura, porque agora que me sinto menos louco vejo coisas anormais onde os outros vêm normalidade, quero mudar o que não se muda, quero debater o proibido, quero exercer a minha cidadania que a muito foi atirada pra o balde de lixo selado com a etiqueta: PAÍS VENDIDO. NÃO SE SABE POR QUEM E A QUEM. APENAS QUE AMBOS, (VENDEDOR E COMPRADOR) SÃO MALUCOS E POR ARRASTO MALUCOS SÃO OS QUE AGUENTA TAL PANDEMONIO.
 
Nota: QUALQUER COINCIDENCIA DESTE TEXTO DE FICÇÃO COM A REALIDADE É PURA VERDADE, PORQUE POR DETRAS DE UMA ESTORIA DE FICÇÃO ESTA SEMPRE UMA REALIDADE E MUITAS REALIDADES DE HOJE PARTIRAM DA FICÇÃO.  
 

quinta-feira, 7 de março de 2013

TEMOS ASSOCIAÇÃO

Hoje é daqueles dias em que nos arrogamos ao direito de plagiar a celebre frase do primeiro homem a pisar a lua: DEMOS UM PEQUENO PASSO PARA O HOMEM E UM GRANDE PASSO PARA A HUMANIDADE, transformando-a em HOJE DEMOS UM PEQUENO PASSO PARA NÓS QUE PODE VIR A SER UM GRANDE PASSO PARA A MIDIA EM ANGOLA.
 É que no Quarto Cartorio Notarial da Comarca de Luanda, acabamos, eu, o Malichi e Neto, de assinar a escritura de constituição de uma organização não governamental, sem fins lucrativos e de ambito nacional denominada MIDIA EM ACÇÃO ANGOLA.
A iniciativa cujo registo acabamos de realiza resulta do facto de estar em vias de fecho a presença da BBC Media Action em Angola e nós termos decidido aproveitar as capacidades produzidas por tão credivel ONG internacional e prosseguir a tarefa por eles principiada. Portanto, vamos no nosso objecto de trabalho perseguir a missão de usar a midia em beneficio das comunidades, promovendo a cidadania e a democracia.
A midia, bem aproveitada é um factor de desenvolvimento e transformação de vidas de pessoas de uma maneira positiva. Por isso, aqui estamos para dar o nosso contributo depois destes anos de boas e memoraveis experiencias com a BBC MA. Portanto temos motivo de sobra para rasgados sorrisos a semelhança do exibido pelo meu colega Malichi na foto acima.
Por fim, gostaria de dar nota 10 ao funcionamento do cartorio que foi irrepreensivel. Para alé da rapidez com que trataram nosso dossier, não foi preciso "gasosa", não ficamos na fila e no final ainda perguntaram-nos se tinhamos sido bem tratados. Eu respondi : tão bem que até estou surpreso.
Para todos anuncio que acaba de nascer a ASSOCIAÇÃO MIDIA EM ACÇÃO ANGOLA. Vossa ajuda e apoio serão concerteza bem vindos.

UMA FOTO AO LADO DE JOHN MUIR


Deixar-se fotografar ao lado de John Muir cidadão nascido na Escócia a 21 de abril de 1838 é no pleno significado da palavra um momento único. Muir, tal como o afirmou o cineasta norte americano Ken Burns “Por tudo que sabemos dele, ascendeu ao panteão dos maiores indivíduos do país; ao nível de Abraham Lincoln, Martin Luther King Jr., Thomas Jefferson, Elizabeth Cady Stanton, Jackie Robinson - pessoas que tiveram um efeito transformador sobre quem somos”.
Refere a Historia que, andou por todos os continentes, Excepto a Antártida por uma causa nobre, a protecção da natureza. Para ele o homem era parte da própria natureza, e como tal não pode ser dotado de direitos maiores que os animais.
John Muir teve o merito de influenciar Theodore Roosevelt que fascinado com os ideiaIs do naturalista acampou com ele por quatro dias se esquecendo por alguns momentos que era o Presidente dos EUA. Roosevelt concordou unanimemente com Muir que o que bebeu do cientista influenciou na criação do Parque Nacional de Yosemite e nos subsequentes.
Pois bem, é exactamente ao lado desta figura ilustra da humanidade que tive o prazer de pousar ao ter visitado a casa em que nasceu na pequena localidade escocesa chamada Dunbar. A casa onde Muir nasceu hoje é museu e conta a historia de sua vida desde a nascença na Escocia, a imigração para a America com os pais e o seu trabalho em prol da humanidade.
Foi um grande prazer visitar tão ilustre figura que infelizmente morreu em Dezembro de 1914. É muito mais prazeroso ainda estar a partilhar com os que me visitam aqui neste cantinho para ouvir contar o que vejo.  

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Kota Wezzo "já tem canudo"


Aprendi com um ancião que já não esta entre nós que o mais dificil na vida é dar o primeiro passo. Quando, depois de regressados a Ndalatando em 1995 dicidimos voltar a escola, ingressando no IMNE Cdte Benedito, ainda ouvimos um desabonatorio comentário de um próximo: estudar mais nesta idade nem pensar...
Mas, apesar disso voltamos a escola. Partilhamos os dissabores de atender as responsabilidades profissionais com o dever de aluno. Em multiplas ocasiões faltamos as avaliações seguindo em missão de serviço até em companhia dos proximos docentes que ao fim de tudo tambem eram os responsaveis governamentais na provincia.
Juntos ouvimos os ralhetes do inesquecivel dr. Ndonga Zola e juntos fomos pedir os favores e as mil desculpas pelas nossas falhas a alguns docentes. lembro um dia ouvir do professor Bento da Rosa: começo a duvidar da idoneidade de certas pessoas que estão a frequentar a nona classe nessa sala...Se dirigia ao nosso incansavel Sinco, que metendo as pernas pela cabeça não conseguia naquele dia multiplicar um numero negativo por um numero positivo.
Estas e outras lembranças vem à proposito de agora, e depois de alguns anitos o Kota Wezzo ter alcançado o seu canudo em Ciencias de Educação no ISCED UIJE com invejaveis 17 valores.
Portanto basta dar o primeiro passo. O resto vem de forma natural e as testemunhas contam e confirmam a historia. Não é preciso inventar contos de fadas para se provar o que somos, apenas precisamos ser o suficientemente corajosos para procurar alcançar os que pretendemos.
Parabens Kota Wezzo!!!

Camabatela, "quem te viu quem te vê"


Ao passar pelas terras do Mufongo fiquei deverás surpreso com o aparente estagio de inabitação a que a vila esta sujeita. Fiquei surpreso ao ver ruas desertas, lojas quase que sem uma alma viva, silencio apenas interrompido pelo motor de um camião ou chilrar de um passaro.
Olhei Camabatela de cima abaixo e foi curioso verificar que durante longos minutos o que pude avistar foram quatro petizes a jogar a bola nas traseiras da gotica Igreja de Camabatela. Perguntei-me a mim mesmo: será que não há gente aqui?
Não obtendo resposta tive de perguntar ao trausente que minutos depois encontrei depois de calcorrer alguns metros dirigindo no sentido mercado informal.
Desta fonte fiquei a saber, que por altura das ferias escolares Camabatela é quase uma terra fantasma. Os jovens migram a procura de escolas e emprego, os mais adultos refugiam-se nas lavritas de subsistencia e daí o "deserto" que eu avistava.
Lembrei-me então que nos anos 80 muitos mais velhos preferiam ser destacados em Camabatela que viver em Ndalatando. Talvez melhor melhor que Camabatela naquele tempo tenha sido somente Dondo.
Enfim, como o tempo passa e a vida muda!!!

Futebol tambem aprende-se

O futebol tem o condão de ser uma pratica para a qual alguns nascem com talento natural, porém via de regressa os bons praticantes tem sido fruto de um processo de ensinamento e pratica sistematizada.
Um processo.
Ninguem vai ao longe nessa pratica só e somente esperando que Deus faça nascer entre os viventes os "talentos naturais".
Portanto, agora que já digerimos o amargo da "humilhante" participação no CAN 2013, é hora e vez de procurarmos fazer o trabalho de casa.
Escolas, massificação, paciência, organização, etc. são vocabularios que deveriam fazer parte do processo de um processo, de uma revolução, de uma caminhada para ao fim das contas podermos colher frutos.
Por exemplo, estes petizes encontrei-os algures no planalto de Camabatela. Uma terra que já foi de grandes  e talentosos futebolistas em tempos idos.
Os putos, jogaram a seu bel-prazer e depois que a bola furou bateram em retirada.
Confesso que vi alguns bons momentos, alguns momentos de talento que se calhar vale a pena trabalhar. Quem sabe daqui venham os novos Ndunguidi, Andre Nzuzi, Lufemba, Abel Campos, Jesus, Alves, Napoleão, enfim, enfim, e por essa via chega uma geração que tenha mais talento que vaidade, jogue mais futebol que esbanjar dinheiro e seja digna de ser PALANCA NEGRA.  

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Porque vale a pena ler "prisioneiros da UNITA nas terras do fim do mundo"

“Assim muitos dos últimos conflitos em África foram consequência da cobiça dos capitais estrangeiros de continuar a explorar, nas novas condições do mundo, os recursos naturais dos países desse continente e apoiaram grupos beligerantes, alimentando as contradições históricas entre etnias e religiões, para a obtenção de vantagens econômicas.
Todos sabemos que representa um novo tipo de colonização, mas os resultados são os mesmos: explorar e dilacerar economicamente os países colonizados que conseguiram a sua liberdade sem grandes lutas contra o domínio estrangeiro. Consequentemente, o poder econômico ficava nas mãos da antiga colônia e a independência política continuava presa aos desígnios da metrópole.
Não foi o caso de Angola. Desde a década de 1950, os seus filhos mais ilustres como Agostinho Neto, Viriato da Cruz, Lúcio Lara, Mario de Andrade, entre outros, iniciaram a luta contra o colonialismo português.
Em encontros internacionais denunciavam o regime colonial e solicitavam apoio para a sua luta de emancipação.
Após proclamação da independência, a guerra civil entre angolanos (1975-2002), que se internacionalizou e foi o conflito armado que durou mais tempo em África, preparou a nação para um maior sentido de nacionalidade, unidade e independência.
Nas novas condições de Angola, é preciso preservar as raízes culturais como uma das vias para evitar a excessiva penetração de formas de vida do exterior em detrimento da nação e dos seus valores morais.
É necessário transformar as mentalidades com base numa cultura cuidada, incutindo nas pessoas o amor às suas origens. Desterrar as mentalidades colonizadas e que sejam maioritariamente os cidadãos nacionais à frente da economia do país, e descolonizar as mentes daqueles que não se despiram da submissão, em termos culturais e econômicos, dos países desenvolvidos.
A acção deve ser dirigida aos governantes no poder para administrarem a sua política no sentido de conseguirem eliminar as descriminações étnicas e tribais existentes e as diferenças abismais existentes entre os níveis de vida no campo e na cidade e noutros estratos da população.
Um dos principais reptos na obtenção destes objectivos é elevar o nível educacional da população, como condição indispensável, para que sejam os próprios habitantes dos povos da parte mais atrasada do continente a não permitir a existência de governos corruptos e a aventura de outros que, para satisfazerem as suas ambições politicas de poder. Incutem guerras.”  
Excertos do livro PRISIONEIROS DA UNITA NAS TERRAS DO FIM DO MUNDO, escrito pelo piloto cubano Manuel Rojas García, que foi prisioneiro na UNITA na decada de 80, depois do seu caça ter sido abatido em missão militar.
Rojas García, nos conta na primeira pessoa, as suas amargas experiencias de priosineiro, mas nos leva a reflectir igualmente a parte positiva da vida ao ter conseguido ver entre os então inimigos um braço amigo, ao ter consigo sobreviver entre aqueles que a partida seriam os seus algozes. Mais interessante ainda as reflexões finais de onde tirei o excerto acima que é tão actual, tão sincero e realistico que o deviamos ler todos sem exclusão.
vale a pena ler o texto de 236 paginas publicado pela Mayamba.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

benvindo 2013

Finalmente 2013.
Para trás ficaram realizações e fracassos. Alegrias e tristezas. Altos e baixos...
Enfim...Foram 12 meses suados e duros. Temos pela frente outros 12 meses que espero sejam melhor que os passados. Ou melhor dito, os devemos transformar em melhores que os anteriores. Juntos, com esforço e arroja poderemos ultrapassar as dificuldades e galgar passo a passo o novo ano.
Pra frente é o caminho.
E aqui, enquanto as forças nos permiterem, estaremos sempre juntos a partilhar o que vemos, ouvimos e pensamos...
Viva 2013. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

AS "MINHAS" PREFERIDAS RADIONOVELAS

ouvinte assidua de estrada da vida
Desde a tenra idade que me apaixonei pela radio. Primeiro, curioso e com vontade de ver quem de tão pequena caixinha era capaz de falar e tocar boa música. Depois a paixão pelo desporto, particularmente o futebol. Alias tornei-me adepto de uma equipa do girabola por essa via. Depois a vontade de também fazer radio. E assim foi até hoje.
No Kuanza Norte entrei pela programação infantil na decada 80. Depois foi só seguir em frente e até hoje.
Das varias lindas, ricas e inesqueciveis experiências que vou vivendo no maravilhoso mundo da radiodifusão, salta-me a vista a emoção vivida quando curiosos e entusiastas produzimos a nossa primeira radionovela na RNA K.Norte. Chamava-se DESILUSÃO. Os actores e actrizes eramos nós mesmos os funcionarios da emissora. Foi assim que entrou na trama a Irene Costa, a São Cango, a Emilia Rita, o João Pedro, o Sebastião Neto, o Russo, e outros bons e inolvidaveis companheiros!
Daquela data para os dias de hoje, dentre as várias nuances que experimentei, constatei que nenhuma me fez sentir aquela sensação diferente que senti por altura da produção do DESILUSÃO. A produção de radionovela tinha uma sabor especial para mim.
Felizmente, e por ironia do destino, vim trabalhar para a IRIN Radio no inicio dos anos 2000 e qual foi a minha surpresa quando a directora me anunciou que tinhamos conseguido fundos para produzir uma radio novela. Arregaçamos as mangas e planeamos e implementamos o CAMATONDO. Mais uma vez voltei a sentir aquela sensação especial que sentira por altura do DESILUSÃO. O tempo passou e eu parti para outra, deixando para trás a IRIN e ingressei na BBC. Novamente bafeja-me a sorte com novo projecto de radionovela. Arregaçamos as mangas, planeamos e produzimos o ESTRADA DA VIDA. E mais uma vez de volta aquela sensação especial de sentir-se satisfeito e maravilhado consigo mesmo!!!...
Porém, senti-me mais satisfeito ainda ao ter ouvido essa ilustre anónima menina da cidade do Huambo, falar dos personagens do ESTRADA DA VIDA com tamanha precisão que só ouvindo. A menina conhecia todos,  e os seus respectivos "afazeres".
Por exemplo dizia gostar do Manlolas, apesar de mentiroso, o Beto mereceu a cadeia, a Nadia é uma pessima vizinha, e por aí.
 Ouvimo-na falar por altura da conferencia de fecho do projecto que fizemos no Huambo em parceria com o Forum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade no Genero, FMJIG. Na verdade foi um momento que levou-me a perceber que se eu pudesse, me eespecialisaria em produção de radionovela, um formato interessante, divertido, onde cabem todas as tematicas, que infelizmente não é valorizado na nossa radiodifusão.
Parabéns a todos pelo exito do ESTRADA DA VIDA e que venha a proxima radionovela.  

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A MORTE PREMATURA DO "100 DUVIDAS"

equipa de produção do 100 DUVIDAS  em acção
A semana passada vivi em simultaneo dois sentimentos diametralmente opostos: o de alegria e de tristeza. Podem perguntar os que me visitam nessa altura como foi possivel? Mas , foi possivel infelizmente.
Ouvi com satisfação pela mídia a chegada a final do maior prêmio institucional nos mass media nacionais do programa 100 DUVIDAS da Radio Ecclesia, a emissora catolica de Angola. Fiquei mais satisfeito ainda por saber que aquele programa concorria na categoria de radio com o consagradissimo Amilcar Xavier. Disse para mim mesmo: ganhando ou não, chegar a este patamar é por si já uma VITORIA.
Prestei atenção a divulgação dos resultados e não fiquei surpreendido ao ter ouvido que o programa da Emissora Catolica tinha perdido o prémio para o Amilcar. Bem, para mim era previsivel, pelo que não me surpreendi e engoli em seco o resultado.
Em suma estas foram as motivações para a minha alegria. Porém, em outro cantinho qualquer do meu subconsciente ascendia o sentimento de tristeza pelo facto de a data de todas estas ocorrências, formalmente o programa já fazer parte do passado. A algumas semanas o 100 DUVIDAS tinha sido "extinto" por decisão da direcção da Radio Ecclesia. Portanto, ainda que tivesse tido a felicidade de arrebatar o prêmio, o mesmo seria atribuido a um "ex-programa de radio". Simplesmente suis generis!
Por que carga de água, por que decisões editoriais ou por que raios que o partam, uma liderança de uma rádio que se autoproclama "A VOZ DOS SEM VOZ" extingue um projecto de rádio tão bem sucedido como foi o programa em causa?  Essa é a questão que nao quer se calar...
Plenamente de acordo que tudo que tem principio terá um dia dia o seu fim. Até as Sagradas Escrituras revelam isso. Mas, convenhamos, que determinadas iniciativas deviam completar o ciclo teorico de sua existencia, porque mortes prematuras são "dolorosamente mais dolorosas"!!!... Espero que percebam o sentido desta redundancia, porque faltam palavras para expressar o que sinto. 
certo de que não terei resposta, contentei-me com o grande premio para todos os protagonistas do 100 DUVIDAS e que veio de uma "autoridade" da esfera dos opinion makers da media Angolana. Trata-se de Reginaldo Silva que disse e eu cito: O 100 DUVIDAS FOI UM GRANDE MOMENTO PARA A RADIO ECCLESIA E QUIÇA PARA A RADIO ANGOLANA.
Foi sim um grande momento, e um dia será um caso de estudo e merecedor de uma estatua, porque a então rica radiodifusão angolana que hoje por hoje já não merece este titulo tem sido infecunda no que toca a parir coisas que marcam e que atinjam as metas. Para o caso vertente a meta é a satisfação da audiencia.
Foi a segunda indicação consecutiva, depois do ano passado ter chegado a final do premio Maboque de Jornalismo. É obra!
Que bem haja sem duvidas.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

FINALMENTE DE VOLTA A FINA FLORA DO FUTEBOL

Já lá vão bons anitos desde que o "glorioso" grupo desportivo da EKA fazia as delicias dos amantes do futebol na provincia do Kuanza Norte. recordo-me que depois de dominar a competição provincial, onde rivalizava com os Dinamos, Surukuku, Satec, Desportivo de Cambambe e outros tantos, a EKA, levantou o astral de todos nós na provincia ao conquistar a proeza de subir a primeira divisão nacional do futebol.
Impulsionado pelo entusiasta velho Pires, o "magnata da loirinha", a EKA fez historia ao tombar grandes do futebol no famoso estadio do inferno, servindo-se do talento dos seus atletas e das altas temperaturas da velha cidade que eram um calcanhar de aquiles para os visitantes.
Bons e velhos tempos, dos quais guardamos inesqueciveis recordações.
Hoje, volvidos esses anos, eis que o Porcelana logra conquistar mesmissima proeza. Parabens. Todavia, já não temos velhos Pires em ambudancia. A provincia é de um empresariado inexistente ou fraco. Dito de outra forma: não temos Cangambas pelas nossas bandas.
A minha questão é: como vamos garantir a sobrevivencia do Porcelana na fina flora do futebol angolano que como se sabe não é oficio para peixe miudo.
Conhecemos estorias e estorietas de grandes clubes que meia volta ficam sem kumbu e a consequencia é cair de divisão. Será que foram acautelados todos os presupostos para que o sonho de muitos não se transforme em uma autentica desilusão?
A ver vamos...
Mesmo assim viva o Porcelana e que venha o Gira.